Polícia Federal indicia alunos por fraude para obtenção de bolsa em Faculdade de Medicina de Campos

Na manhã desta quinta-feira, 26/05, a Polícia Federal deflagrou a operação Falso Positivo, que visa apurar esquema criminoso de estudantes de medicina, que falsificavam documentos com fins de serem beneficiados com bolsas integrais de estudos na Faculdade de Medicina de Campos dos Goytacazes.

A PF indiciou 12 pessoas entre alunos e pais por estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa. Eles são investigados por forjar documentação para conseguirem obter bolsas da faculdade. Segundo o delegado que preside o inquérito, Wesley Amato, para obter o título de filantrópica, a faculdade precisa ofertar um determinado número de bolsas, concedidas exclusivamente a estudantes de baixa renda. Esses estudantes não se enquadravam nos critérios, mas mesmo assim se inscreveram no CadÚnico do Governo Federal e apresentaram comprovantes de rendimentos não compatíveis com o padrão de vida real.

As investigações tiveram início no ano de 2018, quando uma série de reportagens do SBT Rio chamou a atenção para o padrão de vida de alguns alunos bolsistas. A partir desse momento a Polícia Federal instaurou o inquérito, que ganhou força em 2021. “Dos nove alunos investigados na época, dois foram excluídos do inquérito, porque comprovamos que eles de fato se enquadravam nos critérios, os outros dois nós ainda dependíamos de materialidade, mas a partir das provas recolhidas hoje, acredito que vamos ter elementos suficientes para indiciá-los”, disse o delegado.

Série de reportagens do SBT Rio foi reproduzida por Tribuna NF em 2018, confira nos links:

*Segunda reportagem do SBT sobre fraude nas bolsas de estudo da faculdade de medicina de Campos

*SBT Rio começa a fazer série de reportagens em Campos e região

*Faculdade de Medicina perde ação para o SBT

Na manhã de hoje, a Polícia cumpriu 17 mandados de busca e apreensão, 10 em Campos, um em São Francisco de Itabapoana, um em Mimoso do Sul (ES), dois em Linhares (ES) e dois em Cachoeiro de Itapemirim (ES). Todos os mandados são referentes a alunos e pais de alunos que obtiveram bolsas em Campos. Também esta manhã, alguns estudantes e pais foram intimados a comparecer à Delegacia da Polícia Federal para prestar depoimento. “Nós recolhemos documentos, escrituras, e teremos materialidade para comprovar que esses alunos não se enquadram no critério de baixa renda”, disse o delegado.

Filhos de empresários receberam auxílio emergencial

De acordo com o delegado, entre os investigados há filhos de médicos e filhos de empresários, que claramente não são pessoas de baixa renda. Alguns desses pais de estudantes chegaram a movimentar em três anos, as quantias de R$ 12 e R$ 13 milhões.

No curso da investigação, a polícia verificou que por estarem inscritos no CadÚnico do Governo Federal. Com isso, além de receberem fraudulentamente as bolsas de estudos, os alunos e alguns pais chegaram até a receber Auxílio Emergencial, derivado das ações de enfrentamento aos efeitos da pandemia de Covid-19.

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