Campos não flexibiliza uso de máscaras

O Gabinete de Crise e Combate à Covid-19 se reuniu nesta quarta-feira (03), quando seus integrantes debateram a Lei 9443/21 sancionada pelo Estado, que facultou aos municípios, segundo a análise de seus cenários epidemiológicos, a decisão pela liberação ou não de uso das máscaras. Respeitando a estratégia que colocou Campos como referência no enfrentamento da Covid, com mais de 74% da população total imunizada com a primeira dose, o Gabinete de Crise decidiu pela manutenção do uso das máscaras, até que a imunização com a segunda dose, hoje em 56%, atinja a marca de 80%, com medidas ainda como a ampliação da cobertura de adolescentes, na faixa etária de 12 a 17 anos e a escalada progressiva da flexibilização do protocolo “Regras da Vida”.

A reunião foi conduzida pelo Secretário Municipal de Saúde, Paulo Hirano; com a participação do Subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção de Saúde, Charbel Kury; Subprocurador Geral do Município, Gabriel Rangel, coordenador do GICEJES; o Subchefe do Gabinete do Vice-Prefeito, Sérgio Cunha; e o Procurador Leonam Rodrigues.

O Secretário de Saúde, Paulo Hirano, iniciou a reunião falando da importância do Gabinete de Crise e da participação da sociedade civil, citando participações como da promotora pública Maristela Naurath, do presidente da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campos), Leonardo Abreu, entre outros presentes. “Nós estamos evoluindo de forma satisfatória e não podemos errar, permitindo o recrudescimento da pandemia. Em momentos anteriores, tínhamos fila de espera, com cerca de 60 pessoas esperando vaga. Hoje temos ocupação de 15,58% de leitos de UTI e 8,2% de leitos clínicos. Isso nos dá uma segurança, mas não podemos desconsiderar o que está acontecendo no mundo inteiro, com o risco da quarta onda, quando os países, mesmo com a vacinação, flexibilizaram as medidas de distanciamento social e ocorreu nova explosão de casos”, enfatizou Paulo Hirano.

Em seguida, o Secretário Paulo Hirano passou a palavra para o Subsecretário de Atenção Básica, Charbel Kury, que iniciou a apresentação dos indicadores na 22ª reunião do Gabinete de Crise, criado em janeiro pelo prefeito Wladimir Garotinho. O médico listou êxitos da estratégia municipal de Campos, com a redução da ocupação de leitos, como de UTI e clínico na privada e do SUS. “A redução do número de casos, de internações, podem fazer alguém perguntar se vencemos a guerra. Não vencemos a guerra, é agora que começa a guerra de casa em casa, cobrando a dose da vacina, com a Estratégia de Saúde da Família, porque este é o momento mais crítico”, defendeu Charbel.

“Até que possamos tirar nossas máscaras, há muitas vacinas para serem colocadas em dia”, esclareceu Charbel. Hoje Campos tem 74% da população total com primeira dose e 56% com a segunda dose. “Para que a gente tenha segurança é preciso fazer o cálculo: tenho uma população de 50 mil pessoas que ainda precisam tomar a primeira dose e, se isso não ocorrer, o risco é o de se ter que voltar a fazer restrições”, pondera Charbel.

“Enquanto a gente acelera as flexibilizações”, considera Charbel, “não dá para tirar as máscaras e enquanto não se atinge 80% da cobertura”. O Gabinete decidiu manter o município na fase verde, o uso das máscaras continua obrigatório e ampliação da vacinação na faixa etária de adolescentes e novas medidas de flexibilização, que devem ser publicadas em edição suplementar do Diário Oficial, com convocação de nova reunião, inicialmente prevista para 17 de novembro.

“Surpreendam-nos com uma vacinação fantástica. Se você ainda não tomou a primeira dose, se falta você tomar a segunda dose, compareça e vacine-se. No momento em que atingirmos o percentual mínimo, automaticamente iremos publicar o decreto com a liberação do uso de máscaras. Faltam entre 50 mil e 60 mil pessoas, isso sem inserir as crianças”, conclamou Charbel.

O Subsecretário Charbel falou sobre o acerto do uso de algorítimo de atraso, que faz a projeção de incidência de casos, com três semanas de antecedência: “Os algoritmos matemáticos e epidemiológicos têm acertado e tem nos ajudado nas decisões, citando a evolução de casos como em março e agosto”.

Em outubro, o algorítimo apontou que outubro e novembro seriam meses calmos, mas Charbel lembrou que esse cenário é dinâmico e que é preciso manter a prudência. Charbel citou que os indicadores municipais mostram que Campos está entre as fases verde e branco, o que leva o Estado, por seus parâmetros próprios, a classificar o município como amarelo.

O presidente da Acic, Leonardo Abreu, observou que alguns países da Europa têm visto retornar o aumento de casos, e indagou se o município de Campos estaria preparado para enfrentar uma quarta onda, caso ocorra. “Estamos vendo os países da Europa e a Rússia crescer vertiginosamente a contaminação”, relacionou o presidente da Acic. O Secretário de Saúde, Paulo Hirano, disse que Campos se mantém em estado de alerta, tanto que decidiu pela manutenção do uso de máscaras e defendeu a conscientização da população: “As pessoas devem manter o distanciamento social, evitar aglomerações, usar máscaras e higienizar as mãos”. Hirano observou ainda o papel do comércio, fazendo a sua parte, seguindo os protocolos, com medidas protetivas.

Subcom*

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