Prefeitura do Rio vai decretar caducidade do BRT nos próximos dias, diz Paes em entrevista

A prefeitura do Rio vai decretar a caducidade do sistema BRT nos próximos dias. A informação foi dada pelo prefeito Eduardo Paes durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, nesta segunda-feira.

A fala de Paes foi uma resposta a uma pergunta feita pelo jornalista Ruben Berta, do “UOL”, a respeito da má qualidade do serviço prestado atualmente, com destaque para as pistas esburacadas do BRT TransOeste.

— Nós fizemos uma intervenção, hoje quem administra somos nós. E nos próximos dias, nem sei se eu poderia estar falando isso aqui mas agora vou dizer, estaremos decretando a caducidade do BRT. Estamos acabando com a concessão do BRT — respondeu o prefeito.

Ele disse ainda que os primeiros sinais de melhora no modal devem ser observados apenas em 2023, devido a entraves no processo licitatório para o novo modelo de operação do sistema elaborado pela prefeitura. Uma das razões da demora, segundo Paes, seria a negociação sobre a devolução dos investimentos do município no BRT, que totalizaram cerca de R$ 80 milhões e ainda não aconteceu.

— Depois, com o tempo, você vai ter, sim, um ajuste de contas. Os empresários vão provavelmente dizer que o reajuste das passagens não acontece desde 2017, 2018. A prefeitura vai dizer que gastou R$ 80 milhões aqui, isso provavelmente vai gerar um debate que vai demorar muito tempo. O que não posso fazer é deixar a população sofrer. Já é lento o processo licitatório, de compra, tem uma crise institucional, reputacional aí. Quando falo do problema da Saúde, eu boto o orçamento e o dinheiro vai embora, a gente resolve, caminha bem. No caso dos ônibus não é isso. Você tem um sistema complexo, difícil de operar. Você tem 6 mil ônibus na cidade, é difícil até encontrar interventor. É uma solução lenta, os órgãos de controle do Brasil estão cada vez mais exigentes. E a gente tem que respeitar essas exigências pra depois não ficar respondendo pelas coisas. Vamos consertar isso, pode ter certeza. Mas, infelizmente, já se passou um ano e vai se passar outro. Eu diria que só lá pra 2023 que a gente vai começar a perceber uma melhora no sistema do BRT — pontuou.

Paes também admitiu ter errado na concepção do primeiro e mais problemático projeto do sistema BRT, a pista TransOeste, cujo asfalto hoje se encontra esburacado. Ele anunciou que, no novo projeto do modal, o asfalto será trocado por concreto. E negou, contudo, que tenha abandonado o sistema:

— O abandono do sistema parecia que era uma coisa minha, que eu comprei com o meu dinheiro. Não, é a população. Aliás, eu uso carro, não ando de BRT. Isso foi tudo abandonado. Para você ter uma ideia, você tinha 46 estações abandonadas, fechadas. Isso foi dinheiro público gasto. Não tô dizendo que não há falhas. O primeiro BRT foi a Transoeste, e, apesar de eu não ser engenheiro, ficou claro que a pista de asfalto não foi a melhor solução. Já estamos com o projeto pronto, em breve licitamos, de trocar por concreto. Foi um erro da minha administração.

O prefeito disse também desconfiar de que a licitação do novo sistema de bilhetagem eletrônica do BRT foi boicotada, já que não recebeu ofertas até agora.

— Desconfio de que tenha havido um boicote. O que nós fizemos, a partir daquele insucesso, foi dialogar mais com o setor privado, conversar com os atores econômicos e entender o que podíamos melhorar naquele edital. Estamos colocando na rua já um novo edital com algumas mudanças, dando mais prazo, abrindo mais tempo para documentação, dialogando com mais empresas internacionais, com outros setores. Quero crer que vamos encontrar a solução — afirmou.

Ele acrescentou, contudo, que não abrirá mão de um detalhe específico do novo modelo de concessão do BRT: a separação entre a concessionária e a operadora do sistema de bilhetagem. E disse que, se necessário, criará um sistema estatal.

— A única coisa que não vai acontecer é quem tiver a concessão operar o sistema de bilhetagem. Nem que eu tenha que tornar tudo o que eu não quero: é ter um sistema de bilhetagem estatal. Acho que seria uma tragédia — afirmou. — Mas, se necessário for, farei um sistema estatal.

O Globo*

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