Pedro Fernandes recebia R$ 20 mil da Unig para ser funcionário-fantasma, diz faculdade

O ex-secretário estadual de Educação do Rio, Pedro Fernandes, ganhou durante dez meses um salário de R$ 20 mil mesmo sem ir trabalhar. Ele foi um funcionário-fantasma com cargo de professor na Universidade Iguaçu (Unig), na Baixada Fluminense, segundo a atual gestão da unidade de ensino. O ex-secretário nega qualquer irregularidade.

Pedro Fernandes foi contratado para a vaga de professor adjunto de odontologia em novembro de 2019. A equipe de reportagem teve acesso ao contracheque, que mostra salário de R$ 20 mil. Sendo R$ 6,6 mil de gratificação e mais R$ 13,8 mil para pesquisa de saúde pública.

Apesar dos vencimentos recebidos, o emprego na Unig não existe no currículo do ex-secretário.

Braço-direito de Pedro Fernandes também recebia salário

A universidade ainda contratou também o braço-direito de Pedro Fernandes na secretaria de Educação, João Marcos Borges Mattos, que foi subsecretário executivo enquanto Pedro esteve no governo.

João Marcos Mattos tinha o mesmo cargo, o mesmo salário, os mesmos descontos e a mesma carga horária do então chefe. O currículo lattes de João Marcos Mattos também não tem as informações sobre esse emprego.

Pedro Fernandes foi exonerado da secretaria estadual de Educação em setembro após ser preso na Operação Catarata.

Acusado de chefiar grupo criminoso no governo foi pró-reitor da Unig

O ex-pró reitor administrativo da Unig, José Carlos de Melo, foi preso na Operação Tris in Idem. Ele é acusado de ser um dos chefes de núcleos criminosos dentro do Governo do Estado.

O ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, acusa José Carlos de Melo de ter pago propina a ele em dinheiro em troca do favorecimento de contratos de empresas com o Governo do Rio.

A atual direção da Unig move na Justiça um processo para que José Carlos de Melo não retome o controle da universidade. Eles afirmam que o ex-pró reitor estaria usando a universidade em benefício próprio.

O RJ2 procurou os dois ex-professores, pelo menos no papel, da Unig. No endereço de Pedro Fernandes, o porteiro informou que ele não estava. No endereço de João Marcos Borges Mattos, a pessoa que nos recebeu afirmou que ele não mora ali.

O que dizem os citados

Pedro Fernandes disse que foi contratado para montar a equipe e implementar um curso de pós-graduação em gestão pública. Ele declarou que divergências da direção sobre o projeto, mudanças de reitores e a pandemia atrapalharam o trabalho.

Ainda de acordo com o ex-secretário, um dos reitores resolveu demitir a equipe em determinado momento. Pedro Fernandes disse ainda sempre ter conciliado as funções de gestor público com a de professor e que todos os salários foram declarados no imposto de renda. Ele disse também que nem a Unig, nem José Carlos tiveram qualquer negócio com a secretaria de Educação.

A defesa de João Marcos Borges Mattos informou que ele foi contratado para desenvolver núcleos de pós-graduação do curso de odontologia. Ele afirmou ainda que o projeto foi entregue e que ele recebeu um agradecimento da universidade pelo desempenho. João Marcos Mattos disse também que dos dez meses de contrato, ele não recebeu sete meses de salários.

A Universidade Iguaçu reafirmou que todos eram funcionários-fantasma, que foram contratados por José Carlos de Melo para benefício dele próprio e que a universidade teve prejuízos com as contratações. De acordo com a administração da unidade, o ex-pró-reitor foi demitido por justa causa.

A defesa de José Carlos de Melo não respondeu os questionamentos da reportagem até a publicação desta matéria.

G1*

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