Pacientes de hemodiálise ficam sem transporte para fazer tratamento em Campos

Cerca de 150 pacientes que fazem hemodiálise em hospitais de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, estão há pelo menos duas semanas sem poder contar com o serviço de transporte para fazer o tratamento.

Os pacientes que precisam do serviço devem fazer o procedimento três vezes por semana e costumam sair da hemodiálise ainda mais debilitados. A hemodiálise dura 4 horas por dia e quem interromper o tratamento pode agravar o estado de saúde, além de correr risco de vida.

Um dos pacientes é o aposentado Valdecir Alves, de 81 anos, que mora no bairro Santa Rosa. Ele está contando com a solidariedade de amigos para não parar o tratamento que é realizado em um hospital no Centro, cerca de cinco quilômetros de distância da casa dele.

“Eu venho de ônibus, às vezes minha filha me traz ou amigos me dão uma carona. Hoje o rapaz me trouxe, o pedreiro”, disse o idoso de 81 anos.

Um funcionário da empresa que fornecia ambulâncias para a Prefeitura falou com uma paciente por telefone, sem saber que a ligação estava sendo gravada, que o serviço não está sendo mais oferecido porque houve uma redução no contrato do município com a empresa.

“A empresa tá cumprindo um contrato que foi determinado com a prefeitura. Não somos nós que não queremos atender. Por mim, o contrato ficava do jeito que estava”, disse o funcionário.

O funcionário falou também que por conta da alteração do contrato houve redução no número de ambulâncias e que os veículos estão cedidos aos hospitais de urgência e emergência do município.

“Eles contrataram o serviço durante 5 anos. Antes tinham o total de 85 ambulâncias só que agora eles reduziram pra 30. A Justiça determinou que eles comprassem 40 ambulâncias pra substituir as nossas que foram recolhidas mas até agora só compraram 13”, disse o funcionário.

A dona de casa Conceição de Maria Tavares tem uma doença renal crônica e também enfrenta o problema.

“Quando eu tenho dinheiro, eu pago carro. Mas só tenho até sábado (7). A partir de semana que vem eu não sei o que vou fazer. Não sei como vai ficar minha vida se eu dependo de fazer hemodiálise e agora não tenho mais dinheiro pro transporte”, disse a dona de casa.

Conceição contou que procurou a Secretaria de Saúde de Campos mas só recebeu uma folha com o telefone de pessoas que seriam da empresa que fornecia as ambulâncias.

“É um sentimento péssimo. É como se você nem existisse, como se você não fosse ninguém. Quando você mais precisa não tem pra onde recorrer”, lamentou Conceição.

A presidente da Associação Amigos do Rim, Greice Vasconcelos, questiona o novo contrato.

“O que nos foi dito é que está valendo um novo contrato e, segundo informação da empresa que presta o serviço, ele não é mais válido aos pacientes renais. Minha pergunta é: como isso vai ser feito?”, disse a presidente.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que está definindo uma rota para atendimento aos usuários junto à empresa responsável e que as novas medidas estão sendo definidas para melhorar o serviço.

G1*

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