Garotinho apresenta Bope 2.0 para retomar territórios dominados pelo crime no Rio

O candidato ao Governo do Estado Anthony Garotinho (Republicanos) apresentou nesta quinta-feira (3) o Bope 2.0, uma das principais propostas de seu programa para a segurança pública. O plano pretende criar uma estrutura especializada na retomada de territórios dominados pelo crime organizado, combinando investigação antecipada, operações policiais planejadas, ocupação permanente e oferta de serviços públicos nas áreas recuperadas.
A proposta foi detalhada durante o 23º Fórum de Segurança, promovido pelo HotéisRIO e pela Associação Comercial e Industrial do Recreio e das Vargens (ACIR), no Hotel Radisson Barra. Garotinho criticou a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e afirmou que o modelo não conseguiu impedir que organizações criminosas voltassem a controlar comunidades.
Como funcionaria o Bope 2.0
Pelo modelo apresentado pelo candidato, uma operação de retomada começaria antes da entrada dos policiais no território. A Polícia Civil ficaria responsável por um trabalho prévio de inteligência e investigação para localizar armas, drogas e integrantes das organizações criminosas.
Com essas informações, o Bope 2.0 atuaria de forma coordenada com a Polícia Civil, os batalhões responsáveis por cada região e o Governo Federal. Em vez de priorizar uma entrada direta na comunidade, a estratégia seria inicialmente bloquear e isolar os grupos criminosos.
“A intenção não é entrar, é cercar”, afirmou Garotinho.
Segundo o candidato, o objetivo é reduzir os riscos para moradores, comerciantes e agentes de segurança durante as operações. Depois da retomada, o Bope não ficaria permanentemente no território. A manutenção do policiamento passaria para o batalhão responsável pela região, que, segundo a proposta, seria reestruturado para assumir a missão.
Tropa Social entraria depois da retomada
A segunda frente do plano é social. Garotinho propõe criar a chamada Tropa Social, composta por 20 programas e serviços públicos que começariam a atuar nos locais recuperados pelas forças de segurança.
“O BOPE entra, a polícia investiga, a Tropa Social começa a atuar, aí a área é retomada. E quem vai manter essa área depois? O batalhão da área, que vai ser estruturado também”, explicou.
Garotinho sustenta que essa combinação diferencia o Bope 2.0 das UPPs. Na avaliação do candidato, operações policiais precisam estar acompanhadas de investigação prévia, capacidade de manter o controle territorial e presença continuada do poder público.
Transporte pela Baía de Guanabara
Além da segurança, Garotinho apresentou propostas para mobilidade. Ele defendeu a expansão da Linha 4 do metrô, mas afirmou que o Estado também deveria ampliar o transporte pela Baía de Guanabara.
O candidato propôs o Aquamobile, sistema baseado em embarcações modernas para transportar passageiros entre diferentes pontos da Região Metropolitana. O projeto incluiria pequenos centros comerciais nos terminais, com serviços aos passageiros e geração de receitas para ajudar na manutenção das estruturas.
Críticas ao saneamento
Garotinho também criticou o modelo de concessão dos serviços de água e esgoto e defendeu maior independência técnica da agência reguladora e fiscalização mais rigorosa dos contratos e das metas assumidas pelas concessionárias.
“Eu dei água. Os outros governos deram hidrômetro”, afirmou.
Segundo o candidato, uma eventual administração sua buscaria priorizar a ampliação do acesso à água tratada, a expansão da coleta e tratamento de esgoto e o acompanhamento dos investimentos estabelecidos nos contratos.

