Possível segundo turno no Rio e os erros de estratégia de Paes

As últimas pesquisas eleitorais já começam a colocar no horizonte um segundo turno na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro.
A projeção, reafirmada pela pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (2), deixa Eduardo Paes cada vez mais distante do sonho de liquidar a eleição no primeiro turno.
E isso pode representar um problema para Paes, que parece repetir erros estratégicos semelhantes aos cometidos na eleição de 2018, quando foi derrotado de forma acachapante, sofrendo uma virada ainda no primeiro turno.
O principal erro que Eduardo Paes repete é justamente aquele que ele próprio admitiu em entrevista: tentar atrapalhar Garotinho. E nesse caso, no tapetão.
Naquela eleição, Anthony Garotinho foi impedido de concorrer na reta final da disputa.
Em 2026, entretanto, Garotinho pode concorrer normalmente. Ainda assim, Eduardo Paes entrou com pedido de impugnação contra o ex-governador, numa tentativa de tirá-lo da eleição.
E com o massacre midiático dos grandes veículos de comunicação, para validar uma narrativa falsa sobre inelegibilidade. Além da ajuda de outros setores.
Paes chegou a conseguir, por cerca de 24 horas, interromper a campanha de Garotinho, depois que o TRE-RJ acolheu seu pedido para proibir o ex-governador de fazer propaganda na televisão e participar dos debates.
E nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral Eleitoral emite parecer favorável à campanha de Garotinho e impomdo nova derrota a Eduardo Paes
Ao insistir na ofensiva contra Garotinho, Eduardo Paes até conseguiu, temporariamente, frear o crescimento do ex-governador. Mas a estratégia também produziu um efeito colateral que pode ser perigoso para sua própria campanha: a rejeição a Paes disparou.
Segundo as últimas pesquisas Quaest e Real Time Big Data, a rejeição de Eduardo Paes já ultrapassa os 40%.
Nas redes sociais, também é perceptível que a ofensiva de Paes contra Garotinho não foi bem recebida por milhares de eleitores — inclusive por pessoas que não pretendiam votar no ex-governador.
Ao tentar impedir, por exemplo, a participação de Garotinho nos debates, Paes acabou criando uma imagem negativa para sua própria campanha. A estratégia de tentar retirar um adversário da disputa pode ter produzido exatamente o efeito contrário ao desejado.
Outro efeito da movimentação foi o crescimento de Douglas Ruas nas pesquisas. O candidato aparece em ascensão e, neste momento, apresenta uma rejeição significativamente menor que a de Paes.
A eleição de 2026 também começa a guardar semelhanças com a de 2018, especialmente pela forte nacionalização da disputa estadual. A polarização política nacional tende a exercer cada vez mais influência sobre a corrida pelo Palácio Guanabara.
A diferença é que, desta vez, Garotinho está no jogo.
E, se as pesquisas continuarem apontando para um cenário de segundo turno, a estratégia de Paes de concentrar fogo no ex-governador poderá ter contribuído para transformar um adversário em um problema ainda maior.
Ainda faltam 30 dias para o primeiro turno. Até lá, muita coisa pode acontecer — e a eleição do Rio está longe de estar decidida.


