CPI deve convocar diretor de empresa que diz ter recebido pedido de propina para firmar contrato de vacina

A CPI da Covid deve convocar para depor o representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que afirmou em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” ter recebido do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, um pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina em troca da assinatura de um contrato.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que apresentará o requerimento de convocação de Pereira, que terá de ser votado pelo plenário da comissão parlamentar de inquérito.

De acordo com o jornal “Folha de S.Paulo”, a Davati procurou o Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses da vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido). A AstraZeneca informou ao G1 que não tem intermediários no Brasil.

Segundo Pereira, o pedido do diretor foi feito durante um jantar em 25 de fevereiro, em um restaurante de um shopping em Brasília. Ele afirmou ao jornal ter respondido que não pagaria propina.

Conforme a “Folha”, Roberto Ferreira Dias foi indicado para o cargo de diretor pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), ministro da Saúde no governo Michel Temer (2016-2018) e atual líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados (saiba mais abaixo por que Barros se tornou alvo da CPI da Covid).

A nomeação do diretor, acrescenta o jornal, aconteceu em 2019, quando o ministro da Saúde era Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS).

Segundo o jornal, Luiz Paulo Dominguetti Pereira disse que, durante o jantar, o diretor do Ministério da Saúde afirmou que “para trabalhar dentro do ministério, tem que compor com o grupo”.

Pereira, então, questionou qual seria esse grupo, e, de acordo com a publicação, o diretor respondeu que o acordo não avançaria se a Davati não compusesse com “o grupo”.

Ao jornal, o representante da empresa disse ter respondido a Roberto Ferreira Dias que a companhia não opera assim, ao que o diretor do ministério pediu a ele que pensasse “direitinho” porque “se quiser vender vacina no ministério, tem que ser dessa forma”.

CPI da Covid

Ricardo Barros se tornou alvo da CPI da Covid, no Senado. Na semana passada, em depoimento à comissão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram ter relatado ao presidente Jair Bolsonaro as suspeitas de irregularidades envolvendo as negociações para compra da Covaxin, vacina contra a Covid-19 produzida na Índia.

Durante o depoimento, Luis Miranda disse que, ao ouvir o relato, Bolsonaro citou o nome do deputado Ricardo Barros.

Desde então, o líder do governo na Câmara tem negado irregularidades, afirmando que não há “dados concretos” nem “acusações objetivas” contra ele.

A CPI da Covid prevê votar nesta quarta (30) um requerimento de convocação de Ricardo Barros, para que ele explique as suspeitas sobre o caso Covaxin. Quando é aprovada a convocação, o alvo do requerimento é obrigado a comparecer à CPI.

G1*

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