Apartamentos de luxo de Dario Messer são vendidos no Rio; maior lance foi por terreno na Barra da Tijuca e chegou a R$ 4 milhões

Entrada do Condomínio Saint Tropez, na Barra da Tijuca, onde imóvel de Dario Messer ia a leilão — Foto: Reprodução/Google StreetView

Um sucesso. Assim pode ser considerado o leilão judicial que vendeu seis apartamentos, uma casa e um terreno de Dario Messer, nesta terça-feira (16).

De todos os lotes oferecidos, apenas um apartamento conjugado em Copacabana não foi arrematado e ficou para ser oferecido em um segundo leilão eletrônico previsto para o dia 23 de novembro, às 13h.

Os valores alcançados também superaram as expectativas. De todos os imóveis, avaliados em R$ 11,7 milhões, foram arrecadados R$ 12,9 milhões sem o lote do conjugados de Copacabana.

“Ficamos surpresos porque, em geral, as pessoas esperam um segundo leilão para tentar abaixar o preço, mas não foi o que aconteceu neste caso. Caso tudo foi vendido”, disse a leiloeira pública Sandra Sevidanes, ao g1.

Terreno na Barra da Tijuca foi vendido por R$ 4 milhões

Entre os imóveis vendidos nesta terça-feira (16), o que teve mais disputa foi um terreno na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, cuja área útil é de 4.319,14 m² e o lance mínimo esperado era de R$ 1.153.602,99.

O imóvel recebeu 293 lances e acabou sendo arrematado por R$ 4,2 milhões.

A segunda maior venda foi feita no lote 2, que oferecia uma casa na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul da cidade, com 350 m², e um lance mínimo de R$ 1.659.301.

A disputa pela casa teve 152 lances e terminou com uma oferta de R$ 2,6 milhões.

Veja outros itens que foram vendidos:

Seis lotes do pregão são de apartamentos em diferentes blocos no Residences Saint Tropez, localizado na Praia da Barra da Tijuca. Outros dois ficam no Waterways Residencial, também na Barra.

  • Apartamento de 131 m² no Bloco 3 do Saint Tropez
    Lance mínimo
    : R$ 1.706.874,59 / Venda: R$ 1.951.874,59
  • Apartamento de 149 m² no Bloco 7 do Saint Tropez
    Lance mínimo: R$ 1.941.407,42 / Venda: R$ 2.440.000,00
  • Apartamento de 104 m² no Bloco 7 do Waterways
    Lance mínimo: R$ 1.640.454,40 / Venda: R$ 1.675.454,40

O apartamento de Copacabana, que mede 25 m² e tem lance inicial de R$ 257.453,50 será ofertado no dia 23 de novembro.

Imóveis sob embargo

O leilão desta terça (16) previa ainda alguns lotes de apartamentos na Barra da Tijuca, mas, segundo a leiloeira Sandra Sevidanes foram retirados de oferta por embargo judicial. Segundo ela, os embargos serão analisados e, se a Justiça assim entender, poderão voltar a leilão. Veja a lista dos apartamentos retirados de oferta:

  • Apartamento de 129 m² no Bloco 5 do Saint Tropez: R$ 1.680.615,82;
  • Apartamento de 130 m² no Bloco 8 do Saint Tropez: R$ 1.693.845;
  • Apartamento de 130 m² no Bloco 8 do Saint Tropez: R$ 1.693.845,40;
  • Apartamento de 131 m² no Bloco 5 do Saint Tropez: R$ 1.706.874,59;

Doleiro fez acordo com a Justiça

Conhecido como o doleiro dos doleiros, Messer fez o maior acordo da Lava-Jato do Rio, renunciando, segundo os investigadores, a bens que somariam R$ 1 bilhão.

O leilão eletrônico desta terça-feira foi autorizado pelo juiz federal Marcelo Bretas. Os imóveis que não forem vendidos agora serão reofertados daqui a uma semana (23), mas a 75% do valor de avaliação.

Messer foi condenado a 13 anos de prisão, mas cumpre pena em regime domiciliar por causa da pandemia.

Quem é Dario Messer

O doleiro Dario Messer, apontado como o “doleiro dos doleiros”, foi preso em São Paulo no dia 31 de julho de 2019 pela Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro. Ele estava escondido no apartamento de uma amiga.

Messer estava foragido desde maio de 2018, quando foi deflagrada a Operação Câmbio Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. A investigação descobriu que doleiros movimentaram US$ 1,6 bi em 52 países. Dario Messer era o principal alvo.

Messer respondia a inquéritos policiais desde o fim dos anos 1980. Neste período, movimentou dinheiro de forma suspeita de políticos, empresários e criminosos.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Dario Messer, juntamente com os colaboradores Tony e Juca Bala, desenvolveu uma complexa rede de câmbio paralelo baseada inicialmente no Brasil e, posteriormente, no Uruguai. Esse esquema foi utilizado pelo ex-governador Sérgio Cabral, através dos irmãos doleiros Renato e Marcelo Chebar, para enviar recursos ao exterior.

Em 2020, Messer foi condenado pela primeira vez na Lava Jato, pela Justiça Federal do Rio a 13 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por causa do processo da Operação Marakata por lavagem de dinheiro. Ele foi absolvido da acusação de evasão de divisas.

Por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele passou a cumprir pena de forma domiciliar. Em abril do ano passado, Messer deixou o presídio de Bangu 8 em abril de 2020 e passou a cumprir pena em casa devido à pandemia da Covid.

G1*

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