Operador diz que Cabral recebeu R$ 17,5 milhões em esquema envolvendo a União Norte

O operador de Sérgio Cabral (MDB), Carlos Miranda, detalhou nessa terça-feira (12) o recebimento e a distribuição de propina do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) ao ex-governador. Foram R$ 17,5 milhões pagos a Cabral, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF).

Outros R$ 17,5 milhões ficariam com Henrique Alberto Santos Ribeiro, ex-presidente do DER-RJ.

Miranda foi ouvido nesta terça-feira na Justiça Federal do Rio. Delator, disse que recebia a propina a cada 40 ou 45 dias, de acordo com os pagamentos do Estado feito às empresas. De acordo com as denúncias as empreiteiras pagavam propina para garantir obras prestadas para o DER. O dinheiro era repassado pelo departamento para os integrantes do esquema criminoso.

Ele recebia as vantagens indevidas em seus escritórios, inicialmente no Leblon e depois no Jardim Botânico, ambos bairros da Zona Sul, e os repassava a Cabral.

“A propina era arrecadada de acordo com pagamentos feitos pelo estado para a empresa. Foi regularmente ao longo do governo Sérgio Cabral, com valores variados de R$ 100 mil a R$ 150 mil”, disse ele.

Henrique também foi preso na operação. Segundo a denúncia, ele recolhia vantagens indevidas junto às empreiteiras e repassava para agentes políticos.

Em abril do ano passado, o ex-presidente do DER preso nesta fase da Lava Jato foi testemunha de defesa de Cabral. Henrique Alberto Ribeiro disse, na época, que não tinha conhecimento do recebimento de vantagem econômica indevida em obras.

Também nesta terça seriam ouvidos o delator Marcos Andrade Barbosa Silva, da União Norte Engenharia, empresa com sede em São João da Barra, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Jonas Lopes Carvalho Júnior e seu filho Jonas Lopes Carvalho Neto.

Os depoimentos dos três, no entanto, foram adiados a pedido da defesa de um dos réus. Uma das peças do processo foi incluídas horas antes da audiência e o juiz Marcelo Bretas aceitou o pedido de adiamento.

Sobre a denúncia, a defesa de Cabral diz que “o delator não apresentou uma só prova do que disse, mas, ainda assim, obteve todos os benefícios que postulou. A defesa lamenta a maneira deturpada como a lei da delação premiação vem sendo aplicada no Brasil, propiciando que culpados tenham o poder de eleger as pessoas que vão cumprir a pena no seu lugar”.

Com informações G1

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