Empresário comprou mansão em Mangaratiba e passou para o nome da mulher de Cabral, diz delator

O operador financeiro do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) na organização criminosa, Carlos Miranda, foi ouvido nesta quarta-feira (21) na Justiça Federal na Operação C’Est Fini.

Foi a primeira vez em que Miranda prestou depoimento desde que passou à prisão domiciliar, no último fim de semana, após a homologação de sua delação premiada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Miranda afirmou que a mansão em Mangaratiba da família de Cabral foi comprada, na verdade, pelo empresário Georges Sadala. Segundo o depoimento, Sadala teria transferido o imóvel para o nome da ex-primeira dama Adriana Ancelmo, que se encantou com a casa ao conhecê-la, antes de registrá-lo para si.

O advogado Rogério Marcolini, que defende o empresário, diz que a versão é “completamente fantasiosa”.

“A Adriana visitou a casa, quis ficar com ela e o Gê (Georges Sadala) repassou. Originalmente, a casa de Mangaratiba tinha sido comprada pelo Gê. Ele relatou que teria feito o negócio com o proprietário da casa e, antes de repassar para o nome dele, fez uma modificação no cartório. Lembro de que ele comentou que arrancou a folha do cartório, não sei se o fez efetivamente, mas aí repassou para o nome de Adriana”, relatou.

Miranda não explicou como se deu a transferência. Pouco antes, ele havia dito que Sadalas já havia gerado dinheiro em espécie para pagar a dívida de outro fornecedor. Na versão do delator, isso aconteceu para que o empresário mantivesse seu “prestígio” com o então governador.

A operação C’Est Fini, que significa “É o Fim” em francês, alude ao fim do episódio que ficou conhecido como “Farra dos Guardanapos”. Nela, estavam presentes o ex-chefe da Casa Civil Régis Fichtner e o próprio Sadalas, além de outras autoridades.

A investigação desvendou um esquema de corrupção no uso de precatórios por empresas que tinham dívidas com o governo do estado e também de empresas que tinham interesse em fazer negócios com o governo e procuraram o escritório de Fichtner.

Após a prisão de Sadala, o Ministério Público Federal pôs fim ao que ficou conhecido como “República de Mangaratiba”. No condomínio onde Cabral tinha a mansão, que acabou leiloada pela Justiça, também moravam outras figuras próximas ao governo.

O condomínio Portobello também era frequentado por Arthur Soares, o Rei Arthur; o ex-secretário de governo Wilson Carlos, o ex-secretário de saúde Sérgio Côrtes, o ex-presidente da Odebrecht Benedicto Junior e o dono da Masan, fornecedora de alimentos do Estado, Marco Antonio de Luca.

Fonte: G1

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