PGE denuncia Eike Batista e Sérgio Cabral e pede o bloqueio de R$ 327 milhões

A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) denunciou, nesta quinta-feira (4), o ex-governador Sérgio Cabral e o empresário Eike Batista por improbidade administrativa. Na ação, os procuradores pedem o bloqueio dos bens de todos os acusados e o ressarcimento de R$ 327 milhões aos cofres públicos do Estado.

Também foram denunciados pela PGE-RJ a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, o ex-secretário de governo, Wilson Carlos, o operador do esquema do ex-governador, e o ex-executivo da EBX, Flavio Godinho, além de mais duas empresas de Eike Batista.

Segundo a Procuradoria Geral do Estado, o empresário Eike Batista concordou em pagar US$ 16,5 milhões, o equivalente hoje a R$ 64 milhões, em propina para o ex-governador Sérgio Cabral. O objetivo do empresário era obter sucesso e desenvolver projetos em todo o Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com os procuradores, Sérgio Cabral usou sua posição e influência como governador para pedir propina ao empresário Eike Batista.

A ação destaca que para pagar a propina, Sergio Cabral e Eike Batista contaram com a ajuda de Flávio Godinho, ex-executivo da EBX, uma das empresas de Eike Batista. Também participaram do esquema, segundo a PGE, Wilson Carlos, ex-secretario de governo.

A denúncia da Procuradoria Geral do Estado é referente a Operação Eficiência, deflagrada em 2017, como um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. A operação investigou crimes de lavagem de dinheiro e ocultação no exterior de aproximadamente US$ 100 milhões.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, em fevereiro desse ano, Sergio Cabral admitiu que recebeu propina de Eike Batista no exterior. Porém, o ex-governador afirmou que esse dinheiro seria para campanha eleitoral.

Na visão dos procuradores do Estado, essa versão do depoimento não é verdade, já que o valor pago e a época do pagamento (2011) não batem com o período das eleições (2010).

A defesa de Sergio Cabral disse que o ex-governador já prestou “volumosos depoimentos aos Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e reitera que se encontra a disposição para quaisquer outros esclarecimentos, além de estar buscando uma maneira de reparar os danos causados”.

Em nota, o advogado Fernando Martins, representante de Eike Batista, informou que “a referida ação de improbidade é mais uma aberração jurídica contra Eike Batista e que tem origem em fatos que comprovadamente não existiram e que com certeza serão sepultados no julgamento de segunda instância”.

Já a defesa de Wilson Carlos não quis se manifestar. A reportagem não conseguiu falar com a defesa de Flávio Godinho.

A PGE-RJ denunciou, nesta quinta-feira (4), o ex-governador Sérgio Cabral e o empresário Eike Batista por improbidade administrativa. — Foto: Reprodução Globo News
Fonte:G1

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