Parte da propina recebida por procurador era paga através de empresa transportadora de valores, diz MPF

Parte do pagamento da propina recebida pelo procurador do Estado, Renan Saad – preso na manhã desta segunda-feira (1°) – era feito por meio de entregas realizadas pela Transportadora de Valores Trans-Expert. A afirmação foi feita no início da tarde pelo procurador da República, Sérgio Pinel.

“Encontramos uma guia de controle dessa empresa que mostra a entrega de valores no próprio escritório de advocacia do procurador. Uma das funcionárias recebeu o dinheiro. O recebimento de propina é inequívoco”, diz o procurador.

A mesma transportadora de valores já foi investigada pelo Ministério Público Federal, suspeita de ser o caixa-forte da propina recebida pelo ex-governador Sérgio Cabral e assessores.

Em junho de 2015, um incêndio atingiu a sede da transportadora de valores na Zona Portuária do Rio. O Ministério Público Federal suspeita que o grupo de Sérgio Cabral tinha dinheiro guardado na Trans-Expert e parte teria sido queimada.

A Força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro prendeu Saad nesta segunda em casa, em São Conrado, Zona Sul.

Ele é suspeito de receber R$ 1,265 milhão em pagamentos da Odebrecht para mudar o traçado da expansão do metrô do Rio. Sua defesa nega “veementemente” as acusações.

As alterações avalizadas por Saad encareceram em mais de 11 vezes o valor da obra. Em 1998, o projeto foi orçado em R$ 880 milhões. A Linha 4 custou aos cofres públicos R$ 9,6 bilhões.

A Linha 4 do metrô liga a Zona Sul à Barra, na Zona Oeste, e foi entregue para os Jogos Olímpicos de 2016.

“Saad recebeu propina do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para fazer pareceres que favoreciam as construtoras da Linha 4 do Metrô. A obra tinha um traçado original que foi alterado sem licitação porque as empresas avaliaram que ele não era economicamente viável. O parecer favorável assinado por Saad, que à época ocupava o cargo de assessor na Secretaria de Transportes, permitiu a alteração do traçado original sem a necessidade de um novo processo licitatório, o que aumentou muito o valor original da obra”.

Há quase três anos, a Trans-Expert já é investigada pela Lava Jato como parte do esquema do esquema de corrupção comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral. A empresa funcionaria como uma espécie de caixa-forte do grupo.

Pareceres

De acordo com a investigação, os pareceres emitidos pelo procurador foram fundamentais para a viabilização das obras do sistema metroviário.

A licitação original da Linha 4, de 1998, previa um traçado por Botafogo, Humaitá e Gávea, até São Conrado e Barra.

As mudanças sustentadas pelo parecer de Saad, segundo a força-tarefa, autorizaram o estado a custear as obras sob os bairros de Ipanema e Leblon, o que obrigaria nova metodologia.

O novo traçado foi defendido, entre outros argumentos, por estudos de demanda e viabilidade.

Os pagamentos foram operacionalizados por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, sistema usado pela empreiteira para repassar propinas a políticos.

Os repasses a Gordinho, como Saad era identificado no sistema, ocorreram entre 2010 e 2014, segundo aponta a força-tarefa. Um desses pagamentos, de R$ 100 mil, foi entregue no escritório de advocacia do procurador.

G1*

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