Operador de Cabral se torna delator e diz que deu propina a Pezão, que tem interrogatório adiado por Bretas

Um dos operadores do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), Sérgio de Oliveira Castro se tornou delator na Lava Jato. A homologação da colaboração premiada de “Serjão”, como é conhecido, foi feita em setembro, mas só foi comunicada à Justiça Federal do Rio na segunda-feira (13). O anúncio da colaboração foi anunciado pelo juiz Marcelo Bretas nesta terça (14).

Com o anúncio, o magistrado também suspendeu alguns interrogatórios marcados para esta terça – inclusive o do ex-governador Luiz Fernando Pezão, que chegou à 7ª Vara Federal Criminal no início da tarde.

Já o interrogatório de Serjão estava previsto para quarta (15) e foi antecipado em um dia, ocorrendo nesta terça. Mesmo antes da oficialização da delação, o operador já havia citado Pezão. Agora, ele voltou a dizer que o ex-governador recebia “mesadas de propina”, de R$ 50 mil a R$ 150 mil.

“No primeiro governo do Sérgio Cabral, desde o segundo mês do governo, foi instituída uma vantagem para algumas pessoas do governo. Entre elas, o (futuro) governador Luiz Fernando Pezão”, afirmou.

Serjão diz que os valores “sempre foram entregues nas mãos de Pezão”. Ao longo do tempo, segundo ele, a mesada de propina aumentou.

Pezão nega as mesadas. Em entrevista ao G1 pelo telefone na manhã desta terça, o ex-governador diz que nenhum empresário confirma as acusações – que ficariam restritas ao grupo ligado a Cabral.

“Na acareação, o [Carlos] Miranda – que tinha apontado R$ 40 milhões – fala em R$ 25 milhões. Não é verdade. Nenhum empresário confirma o que ele está dizendo”, afirmou.

Boca de Lobo

Luiz Fernando Pezão (MDB) tinha interrogatório previsto para esta terça-feira no processo da Operação Boca do Lobo, desdobramento da Lava Jato do Rio, que o prendeu em novembro de 2018. Ele foi solto em dezembro após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A acusação afirma que Pezão recebeu R$ 40 milhões em propina, integrando e aprimorando o esquema de corrupção de Sérgio Cabral. O esquema foi delatado por Carlos Miranda, operador de Cabral.

Na versão dele, quando ainda era vice, Pezão recebia mesada de R$ 150 mil. A propina incluía pagamento de 13º “salário”, além de dois bônus de R$ 1 milhão.

Ao virar governador, Pezão teria passado a cobrar 8% de propina sobre os contratos firmados com o governo. Na Era Cabral, eram cobrados até 5% dos valores dos fornecedores.

Atualmente, o ex-governador está impedido pelo STJ de deixar o Rio ou exercer cargos públicos. Ele também deve usar tornozeleira eletrônica. Cabral segue preso.

Tornozeleira eletrônica

Pezão foi solto no dia 11 de dezembro. Ele deixou a Unidade Prisional, em Niterói, à noite, e seguiu para sua casa em Piraí, no Sul do estado. Uma das medidas cautelares impostas pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi o uso de tornozeleira eletrônica.

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: