Cláudio Castro se realinha ao bolsonarismo de olho nas eleições de 2026 - Tribuna NF

Cláudio Castro se realinha ao bolsonarismo de olho nas eleições de 2026

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Após emitir sinais difusos sobre alianças nos últimos meses, o governador do Rio, Cláudio Castro, se realinhou com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a caciques do seu partido, o PL, em movimento que terá reflexos na administração e no tabuleiro eleitoral do estado. Além de embarcar na pré-candidatura de um correligionário, o deputado federal Alexandre Ramagem, preferido do ex-presidente para concorrer à prefeitura do Rio, Castro recriou ontem a Secretaria estadual de Segurança Pública — proposta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — e delegou o posto a um nome considerado próximo ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A guinada de Castro ocorre apenas três meses depois de o governador ter participado de agendas públicas e privadas ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), em um ensaio de aproximação política. Aliados e adversários do chefe do Palácio Guanabara ouvidos pelo GLOBO consideram que o entorno lulista deu pouca abertura a Castro, que articula uma candidatura ao Senado em 2026. Para interlocutores do governador, a aliança com a família Bolsonaro pode alavancá-lo nesta pretensão, caso concorra junto com Flávio. O filho do ex-presidente deve tentar renovar o mandato de senador no próximo pleito, quando haverá duas cadeiras em disputa.

Na última sexta, durante um jantar organizado pelo PL para aliados de Bolsonaro, em uma churrascaria na Zona Oeste do Rio, Castro sentou-se ao lado do ex-presidente e posou sorridente a todo momento. O governador também acompanhou Bolsonaro, no dia seguinte, em um café da manhã na orla na Barra da Tijuca, momento usado pelo ex-presidente para sinalizar publicamente, pela primeira vez, que Ramagem é o nome de sua preferência na capital. O GLOBO apurou que Castro ainda fez uma visita a Bolsonaro no condomínio em que o ex-presidente e um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro, mantêm residências.

No início do ano, Castro desagradou o entorno de Bolsonaro por viajar a Brasília para a posse de Lula. Pouco depois, se isolou de vez no PL ao brigar com o deputado federal Altineu Côrtes, presidente do diretório estadual do partido, por divergências envolvendo a eleição à presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O governador traçou então uma gradativa aproximação com Lula, que incluiu uma reunião no Palácio do Planalto em junho, para discutir o acordo de recuperação fiscal do Rio, e agendas conjuntas no lançamento de obras na capital fluminense, em agosto.

Nesta ocasião, vaias dirigidas pela militância petista a Castro e um sermão de Lula por mortes em intervenções policiais no Rio ligaram o sinal de alerta entre assessores do Palácio Guanabara, que vinham apostando em estreitar laços com o Planalto.

Em paralelo, e apesar de diferentes gestos nos bastidores por uma aliança com Paes, Castro não obteve sinal favorável do prefeito sobre abrigar, em sua chapa, um vice indicado pelo governador.

O reposicionamento de Castro começou em setembro, quando o governador reatou com Altineu e recriou a Secretaria de Cidades para abrigar um aliado do deputado. Em acordo semelhante, Castro emplacou no mês seguinte o ex-árbitro Gutemberg Fonseca, nome de confiança de Flávio Bolsonaro, para a recém-criada pasta de Defesa do Consumidor.

Fator Ramagem

À época, Castro aproveitou os primeiros sinais de Bolsonaro a favor de Ramagem e foi enfático no apoio de seu nome à prefeitura do Rio, afirmando à colunista Bela Megale, do GLOBO, que o deputado “reúne mais condições” do que outros nomes apresentados pelo partido. A declaração de Castro foi mais incisiva do que gestos do próprio Bolsonaro, que priorizou até agora demonstrações de afeto sem avançar em análises eleitorais, e de Flávio, que classificou a pré-candidatura de Ramagem como “embrionária”.

— Tem um trabalho a ser feito dentro do partido ainda. Ele está conversando com outros que também se colocaram. A decisão final vai ser do (ex-) presidente Bolsonaro — disse o senador.

As diferentes posturas se explicam porque um dos concorrentes de Ramagem no PL é o senador Carlos Portinho, colega de bancada de Flávio. Portinho era suplente do senador Arolde de Oliveira, que morreu em 2020, e ainda é visto no partido como alguém pouco conhecido. Correligionários avaliam que ele poderia aproveitar uma candidatura em 2024 para se cacifar a uma tentativa de reeleição ao Senado em 2026, na cadeira desejada por Castro.

Outro gesto do governador para o entorno bolsonarista é a escolha de Victor César Carvalho dos Santos para assumir a Segurança Pública do estado. Delegado da Polícia Federal, assim como Ramagem, Santos foi superintendente da corporação no Distrito Federal de 2021 até o início deste ano, em indicação atribuída a Flávio.

Fonte: O Globo

One thought on “Cláudio Castro se realinha ao bolsonarismo de olho nas eleições de 2026

  • 28/11/2023 em 22:49
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    Que o PL não conte com os servidores veteranos da Pmerj e CBMERJ! Nos sentimos traídos pelos judas!

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