Vorcaro acusa Rueda de receber propina de 10% de valores captados pelo Banco Master no Rioprevidência

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, e ACM Neto, vice-presidente nacional da legenda e candidato ao governo da Bahia, teriam recebido comissões equivalentes a 10% dos valores captados pelo Banco Master junto a institutos de previdência estaduais. A informação é do Uol.
Segundo Vorcaro, Rueda e ACM Neto teriam atuado para abrir portas para o Master nos institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Cedae, companhia de saneamento do estado do Rio. O banqueiro afirmou que essas articulações teriam contribuído para a captação de cerca de R$ 2 bilhões pelo banco.
Pela versão apresentada por Vorcaro, a comissão de 10% representaria uma obrigação de até R$ 200 milhões aos dois políticos. Ele, porém, não informou quanto teria sido efetivamente pago. O ex-banqueiro afirmou ainda que os repasses eram registrados em uma espécie de conta-corrente gerencial mantida no Master em nome dos políticos.
Terceira delação de Vorcaro
A proposta de delação é a terceira apresentada por Vorcaro às autoridades e foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as autoridades, faltariam informações inéditas e garantias para a devolução de valores supostamente obtidos de forma ilícita. Vorcaro tenta reabrir as negociações para uma colaboração premiada.
As acusações surgem em meio à investigação sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central, e sobre a atuação de agentes públicos e políticos em operações envolvendo a instituição. A quebra de sigilo do banco já havia identificado contratos com empresas ligadas a ACM Neto e com o escritório de advocacia de Rueda. Vorcaro sustenta que parte desses contratos teria sido utilizada para dar aparência legal aos pagamentos.
No caso do Rio, a investigação também alcança o Rioprevidência. O ex-presidente do órgão, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela Polícia Federal em fevereiro. Segundo a investigação, ele teria sido indicado ao cargo por Rueda em articulação com o governador Cláudio Castro (PL). O Rioprevidência aplicou recursos no Master e sofreu perdas relacionadas às operações com o banco.
Rueda afirmou que tem dificuldade para se manifestar sobre um documento ao qual não teve acesso e negou irregularidades. ACM Neto classificou as acusações como “absurdas”, “fantasiosas” e “mentirosas”. Como a proposta de delação não foi aceita, as afirmações de Vorcaro ainda precisam ser confrontadas com outros elementos da investigação.

