Witzel toma posse e promete combate ao tráfico e à corrupção e dar credibilidade a investidores

O ex-juiz federal Wilson José Witzel tomou posse nesta terça-feira (1) como governador do Estado do Rio de Janeiro, em cerimônia na Assembleia Legislativa (Alerj), no Centro.

O governador chegou por volta das 8h40 à Alerj, acompanhado do vice-governador, Cláudio Castro, e de familiares. Marcada para as 8h30, a cerimônia começou pouco antes das 9h. Witzel se emocionou ao ouvir o Hino Nacional. Por volta das 9h15, fez o juramento como governador do estado, depois discursou (leia a íntegra do discurso no fim da reportagem).

“Tomo posse hoje como governador do Estado do Rio de Janeiro, graças ao desejo de mudança da população. Meu primeiro agradecimento é ao povo (…) Nossa tarefa será racionalizar os custos e obter mais recursos para os municípios. ”

Ao falar da esposa, Helena, voltou a se emocionar e provocou lágrimas também da mulher. “Minha eterna gratidão, meu amor, pelo seu apoio incondicional, a mim e aos nossos filhos. ”

Combate ao crime e à corrupção

Witzel prometeu combater a corrupção e o narcotráfico, com reorganização da polícia e a criação de um conselho de segurança. Um dos seus objetivos será lutar contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro que financia o crime.

“A instalação de um conselho de segurança vai aproximar as instituições, permitindo que a segurança não seja apenas um caso de polícia (…) São narcoterroristas, e como terroristas serão tratados”.

Disse também que vai Cabe ao estado garantir a credibilidade e segurança jurídica aos investidores, voltou a dizer que o turismo é o “novo petróleo” do Rio e mandou um recado aos secretários nomeados por ele.

“Não temos o direito de errar. Não vamos decepcionar o estado do Rio de Janeiro. “

Às 9h43, Witzel terminou o discurso. Cinco minutos depois, a sessão foi encerrada.

O cerimonial foi dividido em dois dias, a pedido de Witzel, que viaja a Brasília nesta terça para prestigiar a posse de Jair Bolsonaro como presidente da República – programada para as 15h, no Congresso Nacional.

A segunda etapa, a transmissão do cargo pelas mãos de Francisco Dornelles, ocorre na tarde de quarta (2), no Palácio Guanabara. Dornelles, governador em exercício, representa Luiz Fernando Pezão, preso desde o início de novembro.

Convidados

Entre os convidados, estavam o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, que foram convidados pelo presidente em exercício da Alerj, André Ceciliano, para compor a mesa.

Maia falou sobre a expectativa para o governo de Witzel: “Transformar o Rio em um estado seguro, capaz de atrair empresas e gerar empregos”.

Crivella disse que espera que o estado e o município possam renegociar juntos as dívidas que possuem com a União.

“A expectativa é grande, de que eu e ele juntos possamos chegar ao Bolsonaro em Brasília e negociar as nossas dívidas. Isso é fundamental para o Rio de Janeiro. Modernizar nossos hospitais, melhorar as nossas escolas. O Rio tem 11 mil km de ruas e avenidas que precisam ser asfaltadas, limpar nossos rios, as nossas lagoas”, destacou Crivella.

Em nome do prefeito Marcelo Crivella, agradeceu a presença de todos os chefes do executivo. “Tenho certeza de que seremos parceiros e que trabalharemos juntos”

Íntegra do discurso

“Senhoras e senhores,

Bom dia

Tomo posse hoje como governador do Estado do Rio de Janeiro graças ao desejo de mudança da população do nosso querido estado, que acreditou na esperança de dias melhores. Portanto, meu primeiro agradecimento é ao povo, com quem assumo o compromisso de não deixar apagar essa chama de confiança em um futuro melhor para o Estado do Rio.

Senhor presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: em seu nome, cumprimento todos os deputados e deputadas estaduais eleitos e os que encerram seus mandatos;

Senhor presidente da Câmara dos Deputados, uma honra tê-lo presente: em seu nome, cumprimento todos os deputados e deputadas federais eleitos e os que encerram os seus mandatos;

Senhor vice-governador: minha gratidão por sua fidelidade e pelos aconselhamentos;

Senhor prefeito da Cidade do Rio de Janeiro: em seu nome, agradeço a presença de todos os demais colegas do Poder Executivo;

Senhor presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, digno representante do Poder Judiciário: em seu nome, cumprimento todos os meus colegas estaduais e federais. Aproveito e agradeço a estas casas, que muito contribuíram para a formação do meu caráter e capacidade para tomar decisões que viriam a definir os destinos de muitos cidadãos, sempre com firmeza e confiança;

Trago na bagagem a mesma coragem que a toga e o mister como juiz federal tão bem me ensinaram e que muito me ajudarão a governar este Estado;

Senhor Procurador Geral de Justiça: desejo-lhe sucesso em mais um mandato à frente do Ministério Público Fluminense, cujo ato de nomeação tenho a honra de assinar. Tudo farei para colaborar com ideias e ações, fruto de minha experiência na área criminal. Em seu nome, minhas cordiais saudações a todos os representes da instituição;

Senhor Defensor Público Geral: em seu nome, cumprimento todos os que honram a missão de defender quem mais precisa. É uma imensa alegria poder citar, neste momento, a instituição à qual pertenci e que muito contribuiu para minha formação jurídica;

Tenho certeza de que, como governador, poderei colaborar muito mais na defesa dos necessitados.

Sua Eminência Cardeal Dom Orani Tempesta: em seu nome, reverencio todas as autoridades religiosas e seus fiéis, que clamam pelo governo dos justos contra a praga dos ímpios;

Aos servidores públicos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro: minha homenagem e minha solidariedade. Podem ter certeza de que tudo farei para melhorar as condições de trabalho e resgatar a sua dignidade e a de suas famílias;

À minha amada esposa Helena, chama que ilumina meus sonhos, que sempre esteve ao meu lado, clareando os caminhos deste grande desafio. Minha eterna gratidão pelo apoio incondicional a mim e aos meus filhos. Este momento também lhe pertence;

Senhoras e senhores, militantes partidários, familiares e amigos: meus sinceros agradecimentos por todo o apoio e confiança;

Dirijo-me, sem distinção e de forma igualitária, a todos os que vivem no Rio de Janeiro.

A página que hoje começamos a escrever na história do nosso Estado expressa a vontade soberana da maioria da população, que a mim confiou o destino do Rio pelos próximos quatro anos;

É chegada a hora de libertar o Estado da irresponsabilidade e da corrupção, que marcaram as últimas duas décadas da política estadual;

Sob a proteção de Deus, renunciei à minha carreira na magistratura federal e iniciei uma jornada que simbolizou, além de minha indignação, um ato de amor ao nosso Estado;

Trabalharei incansavelmente para unir o Rio de Janeiro. Nossa tarefa será racionalizar os custos e obter mais recursos para os municípios, sempre buscando o bem-estar de todos os cidadãos, independentemente de ideologias partidárias.

Também buscaremos apoiar o Governo Federal no processo de mudanças de ordem tributária, previdenciária e econômica, para garantir o futuro das próximas gerações e inverter a pirâmide de arrecadação, com a descentralização dos serviços e atribuições.

O resultado da última eleição simbolizou o grito de milhares de mulheres e homens cansados da traição e dos atos de corrupção que estão tirando de nós o sentimento de esperança por dias melhores para nós e para nossos filhos.

Acreditando na nossa caminhada, somaram-se ao meu partido, o PSC, o PROS e o PSL. E, ao longo do segundo turno, mais uma dezena de outros, que reconheceram a força de milhares de vozes que clamavam por uma alternativa contra políticos marcados por denúncias, prisões, erros e desrespeito ao voto popular.

Não temos o direito de errar.

Minha história de vida se confunde com a de muitos brasileiros. Nasci em um lar cristão. Meus pais enfrentaram inúmeras dificuldades para criar a mim e a meus três irmãos. Não herdarei fortuna, e sim o ensinamento do amor e do respeito ao próximo, assim como valores morais e fraternos. São esses valores que conduziram um dos filhos da família Witzel a ser escolhido para liderar o processo de mudança e resgate da dignidade do povo do Estado do Rio de Janeiro.

Em nome dos meus pais, expresso a importância do papel das famílias como base da sociedade.

Senhoras e senhores,

Não podemos mais viver sem liberdade, com medo de sair às ruas sem saber se voltaremos. Criminosos assumiram, pelo poder das armas, o domínio de porções do nosso território, trazendo a desgraça e a desordem aos cidadãos de bem. Vamos reorganizar as estruturas policiais para serem capazes de investigar e prender aqueles que comandam o crime organizado e fazem da lavagem de dinheiro a fonte que abastece o comércio de drogas, armas e corrupção.

A instalação do Conselho de Segurança, fruto da nossa experiência e estudos aprofundados por mais de 20 anos, vai aproximar as instituições e permitir que a segurança não seja mais apenas um caso de polícia, e sim uma política pública da responsabilidade de todos os poderes, conforme determina a Constituição Federal.

Cidadãos fluminenses, não permitirei a continuidade desse poder paralelo. Ao receber minha carta patente como integrante do Corpo de Fuzileiros Navais, jurei, perante nossa bandeira, defender o Estado Democrático.

Usarei todos os meios e conhecimentos para derrotar o crime organizado, reconstruindo, reaparelhando, aperfeiçoando o processo penal e as estruturas judiciais, treinando nossas forças policiais, e colocando à disposição dos profissionais da segurança todos os instrumentos para conter essa ameaça à nossa democracia.

A mudança em nossa estrutura de segurança é fundamental para aproximar as instituições que compõem todo processo criminal, sendo a atividade policial apenas uma parte deste gigantesco aparato de punição e ressocialização.

O resgate moral da nossa cidadania também passa pelo fortalecimento da cultura em toda sua diversidade e da educação, que será tratada como política pública estratégica tanto para o desenvolvimento humano quanto para a retomada do crescimento econômico do Rio.

Tanto no que diz respeito à educação quanto à saúde, trabalharemos para integrar todos os órgãos federais, estaduais e municipais com vistas a reduzir custos e melhorar o acesso e o atendimento de forma mais racional.

É grande o desafio de manter os serviços públicos em condições dignas de funcionamento e, ao mesmo tempo, reorganizar os gastos.

Não menos desafiadora será a retomada do crescimento econômico com geração de emprego e renda. O Estado tem papel fundamental como indutor desse processo, garantindo segurança jurídica e credibilidade aos investidores.

A produção do campo é um dos pilares do desenvolvimento no interior. Nenhuma economia saudável consegue se desenvolver de costas para seus agricultores. O território fluminense é abençoado pela diversidade natural e climática, viabilizando produzir todo tipo de alimento com qualidade.

É preciso diminuir a necessidade de importação de alimentos de outras regiões e facilitar o acesso dos produtores locais ao mercado, garantindo o abastecimento e a segurança alimentar de nosso Estado.

Construiremos uma política consistente para a agricultura e a produção pesqueira, dando atenção especial à agricultura familiar, ao garantir o acesso ao crédito, à tecnologia e à assistência diferenciada.

Também são metas estratégicas da nossa gestão fortalecer e expandir o setor produtivo do turismo, o novo petróleo do Rio de Janeiro, em consonância com diretrizes ambientais sustentáveis.

Finalizo citando Carlos Lacerda, que, como governador, deixou inegável legado de desenvolvimento ao Estado do Rio de Janeiro.

“A impunidade gera a audácia dos maus. O futuro não é o que se teme. O futuro é o que se ousa”.

Muito obrigado.”

Biografia

Aos 50 anos, o paulista de Jundiaí nunca havia concorrido a cargos políticos. É advogado e foi fuzileiro naval e juiz federal, cargo que exerceu por 17 anos. O governador eleito é é casado com Helena Witzel e tem quatro filhos.

O novo governante – que atende por “Uílson Vítzel” – é o primeiro não fluminense a assumir o Palácio Guanabara desde o segundo mandato do gaúcho Leonel Brizola, em 1991.

Para concorrer ao governo, Witzel pediu exoneração da Justiça Federal no início de 2018. Durante a campanha, chegou a brincar que alguns eleitores perguntavam a ele se estava “maluco” por abrir mão dos privilégios do cargo. Ele rebate dizendo que tem bom salário como advogado e que escolheu o cargo por acreditar que pode melhorar a situação do estado.

Antes de se filiar ao PSC, foi titular da 6ª Vara Federal Cível até 2 de março. Ele já havia atuado em varas cíveis e criminais no Rio e em Vitória. Witzel deixou o Espírito Santo em meio a ameaças de morte.

Eleições

“Azarão” na corrida eleitoral, Witzel teve uma ascenção surpreendente e foi eleito governador do Rio em 28 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, ele teve 4.675.355 (59,87%) dos votos válidos e Paes, 3.134.400 votos (40,13%).

O candidato do PSC teve uma ascensão surpreendente nas pesquisas de intenção de voto no primeiro turno. Tinha entre 1% e 4% nas primeiras pesquisas, subiu nas última semana e obteve mais do que o dobro dos votos de Paes 41,28% dos votos válidos, contra 19,56% do candidato do DEM.

Com o apoio de Flávio Bolsonaro (PSL), deputado estadual que se elegeu senador, Witzel afinou seu discurso com o do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Propostas

A segurança e o combate à corrupção também foram protagonistas em sua campanha, e o apoio da família Bolsonaro é apontado como o principal por sua ascensão meteórica.

Witzel defendeu também o endurecimento do combate à criminalidade, citando inclusive o que chama de “abate” de criminosos que estiverem com fuzis.

Veja as principais propostas:

Escolas militares, ‘pelo menos de uma a três’ por cidade;

Reforma pedagógica, com base em disciplinas e tecnológicas, e implementação da aula ‘Constituição e Cidadania’;

Extinção da Secretaria de Segurança;

Instalação de 1 milhão de câmeras de segurança nas ruas;

Renegociar dívida do Estado por 100 anos;

Asfaltar comunidades para facilitar a ação policial;

Construção de casas populares;

Revitalizar a Baía de Guanabara e despoluir o Rio Paraíba do Sul;

Contratar 500 mil consultas/mês da rede privada para compensar os problemas da rede estadual de saúde;

Investir na construção civil para ofertar empregos;

Liquidar empresas públicas e criar programa de demissão voluntária;

Estabelecer um teste de honestidade no serviço público;

Fortalecer o transporte alternativo.

Fonte: G1

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