Witzel pode ter usado escritórios de advocacia para esquentar propina

A quantidade de dinheiro vivo que, segundo o empresário Edson Torres, foi entregue ao governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), pouco antes do início da campanha eleitoral de 2018 coincide com pagamentos que escritórios de advocacia fizeram ao político e à primeira-dama naquele ano, de acordo com registros da Receita Federal. A suspeição é de que Witzel tenha usado escritórios de advocacia para esquentar a propina. A informação é do portal UOL.

Torres diz ter dado a Witzel R$ 980 mil nos quatro primeiros meses de 2018. No mesmo ano, Witzel e a esposa informaram à Receita terem recebido de dois escritórios R$ 982 mil —ele declarou R$ 912 mil entre julho e dezembro, e ela, R$ 70 mil no decorrer do ano.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) não quis comentar o assunto, mas o UOL apurou que uma das linhas de investigação considera a hipótese de que o governador “esquentou” por meio dos escritórios de advocacia o suposto dinheiro vivo recebido por Torres.

O UOL consultou dois especialistas em investigação de crimes financeiros —um policial federal e um procurador que já atuaram na Lava Jato. A coincidência de datas e valores chamou a atenção deles, que avaliaram que o caso merece apuração acurada.

O advogado de Witzel, Roberto Podval, negou que o governador afastado tenha usado os pagamentos dos escritórios para lavar os recursos que Edson Torres diz ter entregado ao então juiz federal. “O governador nega peremptoriamente ter recebido esses valores de Edson Torres”, diz.

Os escritórios de advocacia também negaram a suspeita. O advogado Fábio Medina afirmou que os R$ 500 mil pagos a Witzel por seu escritório foram fruto de um acordo feito com o governador afastado em razão de rescisão contratual após a vitória nas urnas em 2018.

Medina diz que não houve prestação de serviço por parte do ex-juiz federal. “Ele se elegeu governador e nós fizemos uma boa rescisão para ele, até para ele ter tranquilidade pra trabalhar como governador. O que que tem de mal nisso? Nada.” “Edson Torres não menciona nosso escritório e constitui calúnia qualquer relação ou inferência nesse sentido”, disse Medina.

“Eu repudio essa tese veementemente”, afirmou Rodrigo Horta, defensor de Lucas Tristão, dono de um dos escritórios, ex-secretário e braço direito de Witzel, preso no final de agosto.

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