Secretário de Saúde de RJ diz que ‘tem muita coisa pior’ que casos de fura-fila em OS

Sem citar nomes, o secretário estadual de Saúde do RJ, Carlos Alberto Chaves, disse, na manhã desta quinta-feira (25), que ‘tem muita coisa pior’ que casos de fura-fila em Organizações Sociais do estado.

“Eu não estou aqui porque eu quero. Estou aqui porque estava havendo corrupção e me chamaram em casa. Então esse tipo de coisa eu não admito, não vou admitir e hoje tomarei providências. E tem muita coisa pior, hein? Não tem só diretores, não. Tem gente grande, até de empresas, foram fazer vacina lá (sic). Só que isso é com a parte de polícia, eu não sou polícia”, comentou.

Na manhã de segunda-feira (22), a Polícia Civil do Rio fez uma operação contra a OS Instituto Sócrates Guanaes, suspeita de desviar doses da vacina contra Covid-19.

Uma reportagem do G1 mostrou que, no mesmo dia, à noite, a Secretaria Estadual de Saúde apresentou a minuta de um termo aditivo para prorrogar um contrato com a OS no valor de R$ 153 milhões.

A renovação é referente à gestão do Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, na Região Metropolitana, que é feita pela OS.

“Lógico, aprendi muito com o Ministério Público. Eu pego as informações e passo para os órgãos de controle e os órgãos policiais. Tem muito mais coisa — não é só OS, não. Se fosse só OS… Tem outras coisas, também. Tem pessoal de banco. Tem muitas coisas aí. A imprensa vai saber, a mídia vai saber”, acrescentou Chaves.

Irregularidades no Azevedo Lima

Os investigados pela operação são gestores da OS e teriam vacinado parentes adolescentes — de 16 e 20 anos — que não fazem parte do público alvo.

Os cartões de vacinação dos jovens foram encontrados preenchidos. Naquele dia, a vacinação em Niterói — exclusiva para idosos — estava suspensa justamente pela falta de doses.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a prorrogação do contrato “é uma alternativa legal prevista para ter vigência enquanto o processo de licitação para gestão das unidades está em andamento, sem que haja prejuízo à assistência da população”.

De acordo com a SES, a organização social pode ser punida caso seja comprovada alguma irregularidade. “A investigação está em andamento e, até o momento, não se justifica qualquer medida administrativa em relação à OSs”, diz o texto.

Pagamento mensal de R$ 12 milhões

A minuta, que é uma espécie de “rascunho” de um novo contrato, prevê o pagamento mensal de R$ 12 milhões à OS relativo ao custeio mensal do hospital, no mesmo valor pago atualmente. O contrato com a OS se encerra no dia 25 de fevereiro.

A Superintendência de Acompanhamentos dos Contratos de Gestão da Secretaria Estadual de Saúde afirma que a prorrogação do contrato é importante porque o hospital de grande porte presta serviço de natureza essencial à população.

Em 3 de fevereiro, a comissão que avalia a gestão da OS Instituto Sócrates Guanaes no Hospital Estadual Azevedo Lima listou uma série de irregularidades.

  • aparelho de raio-x inoperante
  • déficit de cadeira de rodas
  • funcionários sem crachá
  • estoque de alimentos não refrigerado
  • ponto biométrico inoperante
  • macas e equipamentos enferrujados nas salas amarela e vermelha
  • camas e suportes para medicação com problemas no CTI adulto
  • aparelho de endoscopia em manutenção
  • duas salas inoperantes no centro cirúrgico
  • ultrassom da UTI neonatal em manutenção
  • alojamento de funcionários com problemas
  • infiltrações

A subsecretária de Unidades Próprias, Mayla Marçal Portela, enviou a minuta para a subsecretaria jurídica da Secretaria Estadual de Saúde às 18h40 daquela segunda-feira.

Cerca de 4 horas antes, ela enviou um documento classificado como “urgente” citando a operação da Polícia Civil contra os gestores da OS suspeitos de furar a fila da vacinação. Nele, sugere a instauração de procedimento administrativo contra a Organização Social de Saúde Instituto Sócrates Guanaes.

Diretores afastados

Após a operação, a Secretaria Estadual de Saúde informou que afastou dois gestores da OS e que “não compactua com atitudes como esta”, que seriam uma “ação isolada”.

Em um documento enviado ao secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, a OS informou que o diretor foi “imediatamente afastado para ampla investigação interna”.

O G1 pediu um posicionamento à OS, mas não obteve retorno contato até a última atualização desta reportagem.

Fonte: G1

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