Lula revela resistência inicial a Paes e diz que Sérgio Cabral insistiu para que o apoiasse

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou que não gostava de Eduardo Paes quando foi procurado, em 2008, para apoiar a primeira candidatura do então deputado à Prefeitura do Rio. Segundo Lula, a aproximação ocorreu por insistência do então governador Sérgio Cabral, responsável por convencê-lo a conversar com Paes.
— Eu confesso a vocês que não gostava do Eduardo. E, certamente, o Eduardo não gostava de mim — afirmou Lula.
O presidente contou que estava com a então primeira-dama Marisa Letícia no Aeroporto de Santa Cruz quando Paes chegou acompanhado de Sérgio Cabral. O ex-governador pediu que Lula apoiasse a candidatura do atual ex-prefeito.
— Eu fui relutante no primeiro momento. Tive muitas dúvidas. Depois de meia hora de conversa, cheguei à conclusão de que tinha que apoiar o Eduardo Paes — relatou.
A decisão, entretanto, enfrentou a resistência de Marisa Letícia. Lula lembrou que ela ainda estava aborrecida com declarações de Paes envolvendo um dos filhos do casal. O prefeito chegou a escrever uma carta pedindo desculpas, mas Marisa não aceitou participar da conversa.
Mesmo diante da contrariedade da mulher, Lula decidiu gravar uma longa participação para o programa eleitoral de Paes. O apoio presidencial teve peso importante na campanha de 2008, vencida por uma margem estreita contra Fernando Gabeira.
Ao recordar o episódio, Lula afirmou que a decisão representou a necessidade de colocar o interesse político coletivo acima de divergências e ressentimentos pessoais.
— De vez em quando, a gente deixa de pensar no todo e pensa apenas no nosso umbigo. E, às vezes, comete erros. A gente não escolhe irmão, não escolhe pai, não escolhe mãe. Agora, amigo a gente escolhe — disse.
Dezoito anos depois daquela aproximação, Lula afirmou que sua relação com Paes superou as antigas divergências e se transformou em amizade. O presidente encerrou a declaração com um elogio enfático ao prefeito:
— Hoje, posso dizer a vocês: Eduardo Paes não é apenas meu amigo. Ele é uma necessidade para o povo do Rio de Janeiro. É uma necessidade.
Fonte: Agenda do Poder

