Hospitais de campanha atrasados podem não ser concluídos, diz secretário de Saúde de Witzel

O secretário de Saúde do estado do Rio de Janeiro, Fernando Ferry, disse, nesta quinta-feira (21), que alguns dos hospitais de campanha que estão atrasados podem não ser entregues. Segundo o chefe da pasta, o atraso para a conclusão das obras e os números positivos da pandemia podem tornar as unidades desnecessárias.

“A gente está vendo que, gradativamente, está diminuindo o número de casos. Isso faz parte da epidemia. Se a gente perceber que isso vai continuar, a gente vai deixar de construir as unidades e o valor será devolvido para o erário”, disse Ferry ao RJ2.

Atraso nas obras

O calendário de inauguração dos hospitais de campanha foi modificado pela quarta vez nesta quinta-feira (21). Já são 21 dias de atraso para a entrega das unidades que deveriam ajudar a salvar pacientes com a Covid-19. Ao todo, o estado contabilizou 3.412 mortes e 32 mil casos confirmados da doença.

O novo cronograma de inaugurações agora vai até o dia 18 de junho, segundo a Organização Social Iabas, contratada pelo governo para gerir as unidades. Todos os hospitais deveriam estar funcionando desde 30 de abril.

Das sete unidades previstas, apenas o Hospital do Maracanã começou a funcionar, mesmo assim de forma parcial. Dos 1,3 mil leitos que eram previstos para o tratamento da Covid-19 no estado, apenas 200 estavam abertos até o começo da manhã desta quinta-feira (21).

Veja abaixo as datas das próximas inaugurações:

  • São Gonçalo – 27 de maio
  • Nova Iguaçu – 29 maio
  • Duque de Caxias – 1º de junho
  • Nova Friburgo – 7 de junho
  • Campos dos Goytacazes – 12 de junho
  • Casimiro de Abreu – 18 de junho

Números em Campos dos Goytacazes

Nesta quinta-feira (21), 42 pessoas testaram positivo para covid-19 em Campos. São 28 mulheres e 14 homens com idades entre 14 e 75 anos. Ainda nesta quinta foram registrados dois óbitos com confirmação da doença: um homem de 36 anos e outro de 93 anos, ambos com comorbidades.

Em Campos, no total são 443 casos confirmados – 232 mulheres e 211 homens com idades entre um mês e 93 anos -, 24 óbitos. Até o momento são 150 pacientes recuperados.

Investigados – Estão sob investigação 10 óbitos, 118 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e 1421 de síndrome gripal (SG). Setenta e cinco casos foram descartados.

Fila de espera por leitos

O atraso nas obras dos hospitais de campanha reflete diretamente no número de mortes provocadas pela doença. Ao todo, o estado tem 578 pessoas na fila de espera por um leito. São 340 pacientes aguardando por um leito de UTI e 238 esperando uma vaga de enfermaria.

Denúncia no Maracanã

Único hospital de campanha aberto pelo estado, a unidade do Maracanã é gerida pela Iabas. O espaço inaugurado no último dia 9, atualmente, funciona de forma parcial.

Segundo um funcionário que não quis se identificar, pacientes estão morrendo por falta de medicamentos no hospital do Maracanã.

“Sabíamos que seria difícil pelo número de pacientes. Sabíamos que passaríamos por dificuldades, mas o que está acontecendo é irresponsabilidade, displicência, omissão e falta de gerenciamento. O Maracanã tá virando matadouro”, comentou.

Para os profissionais que trabalham na unidade da Zona Norte, o sentimento é de impotência.

“Eu fico triste pelas vidas que lá estão porque podem ser vidas abatidas por falta de profissionalismo, por falta de experiência, por falta de materiais adequados. São pais de alguém, mãe de alguém e filho de alguém. Isso é muito triste. É escandaloso ver e não poder fazer nada”, disse o profissional da saúde.

Falta de medicamento

A Iabas e o secretário de saúde do estado negaram a denúncia que apontou falta de medicamentos no hospital do Maracanã. Fernando Ferry disse que esteve no depósito da unidade e, segundo ele, está abastecido.

O secretário disse ainda que os leitos que faltam ser entregues para o funcionamento pleno do Hospital de Campanha do Maracanã serão liberados nesta sexta-feira (22). Segundo Ferry, a ala B começara a receber os pacientes a partir das 12h e contará com 200 novos leitos, sendo 40 deles de UTI.

Fonte: Redação Tribuna NF/G1

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