MP investiga contrato do governo do RJ com empresa de Mário Peixoto para ‘contadores de história’

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) investiga um contrato de storytelling (contação de histórias) entre a fundação Cecierj, do governo do estado, e a empresa Átrio, ligada ao empresário Mário Peixoto, preso na semana passada pela Lava Jato.

Os funcionários designados pela Átrio deveriam prestar consultoria para o desenvolvimento de storytelling. O termo, em inglês, e diz respeito a criação de narrativas com recursos audiovisuais.

Mas o RJ2 descobriu que muitos dos contratados não trabalham com nada relacionado a isso. Um deles seria motorista e outra secretária do presidente da Cecierj, Gilson Rodrigues.

Em nota, ele afirmou que rechaça qualquer tipo de conduta ilegal. Já a defesa de Peixoto afirmou que ele não integra nenhuma organização criminosa e que jamais cometeu nenhuma irregularidade. Disse também que ele já não era mais sócio da empresa quando venceu a concorrência.

A Secretaria de Ciência e Tecnologia, à qual está subordinada ao Cecierj, informou que o secretário Leonardo Rodrigues pediu uma sindicância para apurar qualquer irregularidade e anunciou o afastamento dos presidentes do Cecierj, Gilson Rodrigues, e da Faetec, Romulo Massacesi.

“Toda e qualquer anomalia contratual encontrada, incluindo favorecimentos de qualquer ordem, serão esclarecidos e repreendidos na forma da lei”, diz o texto da Secretaria.

Licitação

A licitação custou R$ 7 milhões e teve a participação de duas empresas ligadas a Peixoto: a Rio de Janeiro Serviços e Comércio e a Átrio. Esta ganhou a concorrência mesmo tendo ficado na quinta colocação.

Isso ocorreu porque as três primeiras foram eliminadas, sob a alegação de problemas na documentação, e a quarta colocada desistiu.

A Átrio deveria fornecer 70 consultores de storytelling, mas os funcionários dizem que sequer há essa necessidade na fundação.

Uma das contratadas para contar história é Bianca Massacesi Lins. Ela trabalharia na comunicação da Cecierj, segundo fontes ouvidas pelo RJ2. Em fevereiro ela recebeu R$ 4.350. Ela é irmã de Romulo Massacesi e filha do padastro do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues.

Outros dois funcionários terceirizados trabalham para Gilson Rodrigues: Kaliurdi Lima de Sousa Lopes, com salário de R$ 3.158, que é o motorista, e a secretária do presidente da Cecierj, Claudia Lordello. Ela também é contratada pela Átrio, com salário de R$ 4.350.

A reportagem entrou em contato com ela por telefone.

  • A senhora é secretária do Doutor Gilson, né?
  • Sim. Pois não.
  • É que a senhora foi contratada para storytelling e eu queria saber porque a senhora é secretaria?
  • Não estou te entendendo direito porque a ligação tá muito ruim. (…)Eu sou secretaria dele, mas eu não sei do que você está falando, eu não sei explicar isso, eu não sei. (…) O que é contador de história? Storytelling? Eu não sei nada disso.

Entre os contratados, há também políticos: Uilian Santos, que trabalha no setor de comunicação do Cecierj, é pré-candidato a vereador de Petrópolis.

Em nota enviada ao RJ2, Uilian Santos informou ter recebido, em janeiro, o convite para entrevista de emprego na empresa Átrio, para trabalhar como jornalista, no setor de Comunicação da Fundação Cecierj.

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