Política

Mulher de Rodrigo Bacellar rompe o silêncio e faz desabafo sobre situação do marido na prisão

Rodrigo Bacellar e a esposa Manoella Duarte
Rodrigo Bacellar e a esposa Manoella Duarte
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A mulher do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, Manoella Duarte, divulgou uma nota pública com um forte relato sobre as condições em que encontrou o marido durante visita na última quinta-feira. Preso preventivamente, Bacellar está custodiado no sistema penitenciário federal e se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto.

Na manifestação, Manoella afirma que decidiu falar depois de dois meses sem poder ver o marido. Segundo ela, Bacellar apresentava marcas de algema no corpo, estava com um dedo do pé inflamado e relatou dificuldades para dormir e tomar banho.

“Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem”, escreveu.

As afirmações sobre as condições carcerárias são de Manoella. Até o momento desta publicação, não foram apresentadas no material enviado manifestações das autoridades penitenciárias sobre os pontos específicos relatados por ela.

Pedido por água, ventilação e atendimento médico

Manoella sustenta ainda que haveria restrições para a entrada de medicamentos prescritos pelos médicos que acompanham Bacellar e diz temer consequências para a saúde física e psicológica do marido.

Ela também relata que o ex-presidente da Alerj não estaria utilizando o banho de sol por questões relacionadas à divisão dos horários entre presos. “Não é possível ao Rodrigo usufruir nem mesmo do banho de sol, pois os horários são divididos entre facções e milícias e meu marido não faz e nunca fez parte de nenhuma”, afirmou.

A mulher de Bacellar enfatizou que sua manifestação não tinha como objetivo discutir as acusações ou o mérito das investigações.

“Não venho a público discutir o processo. Não venho falar de acusações nem de investigações. Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá”, escreveu.

Em outro trecho, pediu que o marido seja tratado de acordo com os direitos assegurados às pessoas presas. “Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Não peço, nesta nota, a sua liberdade. Peço o mínimo: água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele.”

Bacellar é réu no STF

Bacellar está preso desde 27 de março, quando Alexandre de Moraes decretou nova prisão preventiva no âmbito da investigação sobre suposto vazamento de informações sigilosas e obstrução de apurações relacionadas a organizações criminosas no Rio. Segundo o STF, a investigação apura indícios de que informações protegidas teriam sido repassadas para beneficiar investigados.

Em agosto, a Primeira Turma do Supremo recebeu por unanimidade denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bacellar e outros investigados, incluindo o ex-deputado TH Joias e o desembargador Macário Júdice Neto. Com a decisão, Bacellar passou à condição de réu por obstrução de investigação. A abertura da ação penal não representa condenação, e as acusações ainda serão julgadas.

O ex-presidente da Alerj foi inicialmente levado para Bangu 8 e, em julho, transferido para o sistema penitenciário federal. A transferência inicial foi para Brasília. Reportagens posteriores e declarações de familiares informam que ele passou a ficar custodiado na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

No início de setembro, o irmão de Bacellar, o vereador Marquinho Bacellar, já havia feito críticas públicas às condições de custódia, afirmando que o ex-presidente da Alerj enfrentava restrições de visitas e de banho de sol.

Ao encerrar a nota, Manoella voltou a evitar qualquer pedido de soltura e concentrou o apelo nas condições da prisão: “Peço apenas uma coisa: que ele seja tratado como ser humano.”

Fonte: Agenda do Poder

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