Após derrota de Witzel na Alerj, Castro nomeia dois novos secretários e começa a dar cara nova ao governo do Rio

O governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, nomeou os novos secretários estaduais de Saúde e Educação. As respectivas nomeações do médico Carlos Alberto Chaves de Carvalho e do professor Comte Bittencourt foram publicadas numa edição extra do Diário Oficial na tarde desta sexta-feira. No mesmo documento, saíram a exoneração de Alex Bousquet, que deixa a pasta da saúde, e o decreto que tira da subsecretária executiva Claudia Lasry Martins a atribuição de responder interinamente pela Educação após exoneração de Pedro Fernandes, em 16 de setembro.

Com as duas trocas, Castro começa a dar cara nova ao governo após a derrota do governador afastado Wilson Witzel na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), na última quarta-feira, quando foi votado o impeachment.

Filiado ao Cidadania, antigo PPS, Comte foi deputado por quatro mandatos consecutivos, entre 2003 e 2018, e presidiu a comissão de educação da Alerj por 14 anos. Ele tem boa relação com os deputados estaduais e interlocução com servidores da Educação estadual. Ele também foi sócio do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói. Na cidade da Região Metropolitana, foi secretário e vice-prefeito. Foi também em Niterói que Comte começou a vida política, em 1992, cumprindo três mandatos de vereador e presidente da Câmara.

Um dos primeiros desafios à frente da pasta será a definição de uma data para o retorno das aulas presenciais no estado. A volta às aulas nas escolas particulares estava prevista para o dia 14 deste mês, mas uma decisão da Justiça suspendeu o retorno dos estudantes. Na rede pública, as atividades seriam retomadas parcialmente no próximo dia 5 de outubro, mas a data deve ser prorrogada mais uma vez.

— O Comte tem uma brilhante trajetória e contribuição relevante na área da Educação. Ele chega à nossa equipe para somar com sua expertise e perfil técnico — afirmou Cláudio Castro, após o acerto.

Ja Carlos Alberto Chaves de Carvalho é ex-diretor de hospitais estaduais e da central de regulação de leitos. Ele já havia demonstrado interesse no cargo quando chegou, em um carro de aplicativo, na manhã desta sexta-feira, para o encontro com Castro, no Palácio Guanabara, Laranjeiras, Zona Sul do Rio. Na saída, Chaves disse que “não suporta corrupção” e que reconhece o valor da saúde pública para a população fluminense.

— O problema na saúde não é de agora. E quem me conhece sabe que eu eu não admito e não suporto a corrupção na Saúde. Eu venho de família muito humilde e sei onde dói, sei o valor do SUS para o cidadão da ponta. Saúde é uma área muito perigosa, o dinheiro rola lá dentro. É um desafio, mas acho que será feito. Queria que fosse pelo amor, mas se não der, vai ser pela dor também — afirmou o médico, que deixou o Palácio Guanabara também num carro de aplicativo e reclamando do calor.

Chaves é piloto de helicóptero e corre todo dia pela manhã. Costumava dar uma volta completa na Lagoa Rodrigo de Freitas, mas hoje corre cerca de seis quilômetros — atividade que não deixou cumprir nem antes da reunião desta sexta-feira. Ele nasceu no hospital do Iapetec (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas) fundado em janeiro de 1948, hoje Hospital Federal de Bonsucesso (HFB).

No Rio de Janeiro, além de ter sido gestor de unidades públicas, onde ficou conhecido por fazer “choques de gestão”, esteve nos últimos dez anos no Grupo de Apoio Técnico do Ministério Público do Rio (MPRJ), na área da saúde. Ele também fez fama de xerife no serviço público. O pneumologista já dirigiu grandes hospitais, como o Getúlio Vargas, na Penha, e o Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, onde era considerado chefe linha-dura pelos funcionários.

O Globo*

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