Policial penal conhecido como ‘Bonitão’, ex-segurança de jogadores e assessor parlamentar, é preso nos EUA

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, foragido da Operação Anomalia, foi preso nesta sexta-feira (24) nos Estados Unidos. Ele deve passar por audiência de custódia na Justiça americana, que vai avaliar possíveis medidas de deportação para o Brasil.
A ação foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), órgão federal do Departamento de Justiça dos EUA, após troca de informações e cooperação com a Polícia Federal no Rio de Janeiro.
Conhecido como Bonitão, o policial penal tinha o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol e era procurado desde março, suspeito de atuar na tentativa de atrasar a extradição de um traficante internacional de drogas.
A Operação Anomalia foi desenvolvida no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, com o objetivo de cumprir mandados do Supremo Tribunal Federal (STF) contra núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas.
Quem é Bonitão?
Luciano pertence ao quadro da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), mas esteve cedido a outros órgãos da administração pública estadual e federal.
Ele atuou como segurança de jogadores de futebol no início da década de 2010, principalmente de atletas brasileiros que atuaram na Rússia.
Luciano chegou a ser preso em 2014, na Maré, apontado como informante do traficante Marcelo das Dores, o Menor P. Ele seria o elo entre Menor P e o ex-chefe do tráfico na Rocinha, Antonio Bonfim Lopes, o Nem, mas recorreu em liberdade.
Condenado, cumpriu pena, mas obteve na Justiça a reabilitação criminal.
Em agosto de 2021, Bonitão virou alvo de investigação da Seap. O faraó dos bitcoins, Glaidson Acácio estava em período de quarentena na prisão quando recebeu, segundo a Corregedoria da pasta, quatro pessoas no presídio: dois funcionários públicos e duas pessoas que têm negócios com G.A.S..
Um dos funcionários públicos se identificou apenas como Luciano e deu número de matrícula já desativado. A reportagem da TV Globo apurou na ocasião e descobriu que se tratava de Bonitão. Na ocasião, o policial penal negou na ocasião que tivesse visitado Glaidson.
Sem problemas com a Justiça, Luciano Pinheiro foi nomeado na Assembleia Legislativa do Rio pelo então presidente André Ceciliano (PT). Depois foi para Brasília onde esteve cedido até fevereiro de 2025 ao gabinete do deputado Dr. Luizinho (PP).
‘O homem de Brasília’
No dia 9 de março, a PF deflagrou a primeira fase da operação Anomalia. Quatro mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Três pessoas foram presas na ocasião: o delegado federal Fabrizio Romano, o ex-secretário de Esportes, Alexandre Carracena e a advogada Patrícia Falcão.
A assessoria de André Ceciliano disse que o policial penal foi uma indicação na Alerj pelo deputado André Lazaroni. Disse ainda que não se reuniu com o policial penal em Brasília e que “ele pode ter tentado vender um prestígio que não tinha”.
As investigações apontam que o grupo tentou interceder para adiar a extradição do traficante de drogas Gerel Lusiano Palm. O cidadão de Curaçao é condenado por homicídio na Holanda e investigado pelo DEA, a polícia antidrogas dos Estados Unidos, por tráfico internacional.
A ideia era impedir a extradição e dar asilo a Gerel Palm no Brasil. Para isso, há suspeita de que ele teria articulado uma reunião em Brasília para tratar do tema.
Em interceptação telefônica, obtida com autorização judicial, o delegado Fabrizio Romano diz que Luciano manteve contato com o “homem de Brasília” e recebeu adiantado R$ 15 mil com a promessa de receber R$ 150 mil pagos pela advogada Patrícia caso desse certo o cancelamento do processo de extradição.
Gerel foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro, em 2021. Desde então, está no sistema penitenciário do RJ e não foi extraditado.
Com informações G1.


