PF diz que lobista afirmou a Vorcaro que Rioprevidência tinha um ‘dono’ para autorizar operações

A quebra do sigilo do celular de Daniel Vorcaro revelou novas informações sobre a relação entre o Banco Master e o Rioprevidência. Em mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF), o lobista Ricardo Siqueira, conhecido como Ricardo Gordo, afirmou ao banqueiro que havia um “dono” no fundo de previdência do estado que precisava autorizar as operações.
Segundo o relatório, Ricardo escreveu que “lá tem um dono, e esse dono precisa autorizar os caras internamente”.
A PF não esclareceu quem seria esse “dono”.
Conforme revelado no blog do Ralfe Reis, hospedado na Tribuna NF, o lobista tentou encerrar a investigação. Entretanto, o ministro André Mendonça rejeitou o pedido e manteve a investigação (AQUI).
No total, de acordo com os investigadores, o Rioprevidência aplicou quase R$ 3,7 bilhões em produtos ligados ao Banco Master. O fundo é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 250 mil servidores inativos e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro.
‘Destrava’
Na mesma conversa, Gordo afirmou que conseguiria “destravar a parte técnica das aplicações” e citou uma operação de R$ 500 milhões.
Para os investigadores, as mensagens indicam que o lobista se apresentava como alguém capaz de viabilizar aprovações técnicas para investimentos de alto valor. Em um dos trechos destacados pela PF, Ricardo afirma, com naturalidade, que consegue garantir a operação de meio bilhão.
A investigação identificou ainda um padrão nas operações entre o Rioprevidência e o Banco Master: quando as Letras Financeiras passaram a enfrentar restrições e questionamentos, o grupo mudou a estratégia para continuar atraindo recursos dos fundos de previdência.
O Rioprevidência aparece entre os primeiros investidores dos novos produtos criados pelo banco.
Um dos exemplos apontados pela PF é o Fundo Revolution, criado em maio de 2025. No mesmo dia em que o Revolution começou a operar, o Rioprevidência fez um aporte de R$ 50 milhões. Três dias depois, aplicou outros R$ 50 milhões. Em 3 meses, os investimentos chegaram a quase R$ 482 milhões.
O mesmo movimento ocorreu no Fundo Horizonte, criado em agosto de 2025. Onze dias após sua criação, o Rioprevidência investiu R$ 10 milhões — e era o único cotista do produto.
A PF também questiona a forma como o Banco Master foi credenciado pelo Rioprevidência. Auditorias citadas no relatório apontam que algumas aplicações ocorreram antes de o comitê de investimentos avaliar formalmente a instituição financeira.
De acordo com os auditores, o campo destinado à análise do Conselho Deliberativo e do Comitê de Investimentos permaneceu em branco nos formulários das operações, indicando ausência de manifestação formal dos órgãos colegiados.
Em nota, o ex-governador Cláudio Castro negou qualquer interferência nos investimentos do Rioprevidência.

