Política

Douglas Ruas nacionaliza campanha, ataca Lula e o acusa de dificultar acordo da dívida do Rio

Ruas nacionaliza a campanha chamando Lula de cara de pau na negociação do Propag
Ruas nacionaliza a campanha chamando Lula de cara de pau na negociação do Propag. Crédito: Arquivo

Douglas Ruas (PL) elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e levou a disputa pelo governo do Rio para o terreno da política nacional. Durante sabatina nesta quarta-feira (9), o candidato acusou Lula de ter dificultado a entrada do estado no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mecanismo que permitiu renegociar o bilionário passivo fluminense com a União.

Aliado de Flávio Bolsonaro, Ruas criticou vetos presidenciais a dispositivos relacionados ao programa e atribuiu ao Congresso Nacional parte decisiva da construção das condições que possibilitaram a adesão fluminense. O candidato também atacou Lula por ter participado, ao lado do governador em exercício Ricardo Couto, da cerimônia de assinatura do acordo no Palácio Guanabara, em junho.

Ruas chama Lula de cara de pau

Ao abordar o tema, Ruas afirmou que a derrubada de vetos presidenciais pelo Congresso foi fundamental para tornar a renegociação mais favorável ao Rio. Na avaliação do candidato, Lula posteriormente assumiu protagonismo político em um acordo que seu próprio governo teria dificultado anteriormente.

“O presidente Lula vetou os dispositivos que ajudavam o Estado do Rio a aderir ao Propag. O Congresso Nacional derrubou os vetos. Depois Lula veio ao Rio de Janeiro, com a maior cara de pau, dizer que estava ajudando a população do Rio a se livrar dessa dívida”, disse Ruas.

Dívida superava R$ 210 bilhões

O tamanho do passivo ajuda a explicar o peso político do tema. Antes da renegociação, a dívida do Rio com a União estava em R$ 210,6 bilhões. Com a adesão ao Propag, o saldo foi reduzido para R$ 168,5 bilhões, após uma amortização de R$ 42,1 bilhões por meio da oferta de ativos.

O impacto mais imediato ocorreu no caixa. A prestação mensal, que estava em cerca de R$ 436 milhões, caiu para R$ 119 milhões. O acordo também eliminou os juros reais de 4% ao ano, deixando o débito sujeito à correção pela inflação. A estimativa apresentada durante a assinatura foi de uma economia anual de aproximadamente R$ 8 bilhões em juros.

O Propag ainda alongou o pagamento da dívida e permitiu que o Rio deixasse o Regime de Recuperação Fiscal, mecanismo ao qual havia aderido em 2017 diante da incapacidade de honrar suas obrigações nas condições anteriores.

Desafio para o próximo governo

Apesar do alívio proporcionado pela renegociação, a situação fiscal permanece como um dos principais desafios do próximo governo. Além do passivo com a União, o Rio acumula cerca de R$ 26 bilhões em dívidas com instituições financeiras, que também estão sendo objeto de tentativa de reestruturação.

As contas estaduais também perderam fôlego depois do efeito de receitas extraordinárias. A disponibilidade de caixa livre caiu de R$ 17,4 bilhões para R$ 2,2 bilhões entre 2022 e 2025, enquanto o estado chegou a projetar déficit de R$ 19 bilhões para 2026.

Ao explorar o tema durante a campanha, Ruas tenta atribuir ao governo Lula parte das dificuldades enfrentadas pelo Rio e, ao mesmo tempo, nacionalizar a eleição estadual, colocando o Palácio do Planalto no centro do confronto político pela sucessão no Palácio Guanabara.

Fonte: Agenda do Poder

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