Campos celebra marco histórico da iluminação elétrica, mas memória segue pouco valorizada

Por Alexandre Paiva
Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, relembra nesta data um dos capítulos mais importantes de sua história: a inauguração da iluminação pública elétrica, em 26 de junho de 1883, com a presença do imperador Dom Pedro II. A cidade tornou-se a primeira da América Latina e a terceira do mundo a implantar o sistema, por meio de uma usina termoelétrica movida a vapor de 52 kW, responsável por alimentar 39 luminárias de arco voltaico. A iniciativa colocou o município na vanguarda do desenvolvimento tecnológico da época.
O projeto marcou a criação da primeira companhia de eletricidade da América Latina e consolidou Campos como referência em inovação no século 19. Já na década de 1930, o sistema elétrico passou ao controle do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Parte desse patrimônio histórico permanece preservada em um poste remanescente instalado em frente à sede da Receita Federal, na Avenida Rui Barbosa (Beira Rio), na área central, onde também há uma pequena placa informativa sobre o feito.
Apesar da relevância histórica, o monumento ainda recebe pouca visibilidade e passa despercebido por grande parte da população e de turistas que visitam o município. A ausência de sinalização mais evidente e de ações permanentes de valorização limita o conhecimento sobre um dos maiores marcos da história de Campos.
Além da falta de destaque, o estado de conservação do conjunto também chama a atenção. O poste histórico apresenta sinais evidentes de desgaste, com pontos de ferrugem e pintura danificada, enquanto o entorno carece de manutenção, com o paisagismo comprometido pela grama maltratada. A situação contrasta com a importância do local, considerado um dos símbolos da pioneira implantação da iluminação elétrica na América Latina.



