10/08/2026
Política

TJ-RJ inicia julgamento da deputada Lucinha e convoca Eduardo Paes como testemunha do MPRJ. Parlamentar é ré por envolvimento com milícia

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Eduardo Paes participou de carreata em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, ao lado da deputada estadual Lucinha (PSDB) — Foto: Bernardo Mello/Agência O Globo/ imagem de 2018

Ex-prefeito do Rio está no rol de testemunhas do Ministério Público em ação penal que acusa deputada de integrar núcleo político da milícia de Zinho

A ação penal contra a deputada federal Lúcia Helena Pinto de Barros, a Lucinha, avança para a fase de produção de provas no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e terá um personagem de peso da política fluminense entre as testemunhas de acusação: o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes. O depoimento foi marcado para a última quinta-feira (6). Não se sabe se ele compareceu.

Paes foi arrolado pelo Ministério Público como testemunha de acusação no processo que tem Lucinha e sua ex-assessora Ariane Afonso Lima como rés. Documento do TJRJ encaminhado ao Ministério Público solicita, inclusive, o endereço atualizado de Eduardo da Costa Paes para fins de intimação.

O caso envolve uma das mais graves acusações já enfrentadas pela parlamentar: segundo o Ministério Público do Rio, Lucinha e Ariane integrariam o núcleo político da milícia conhecida como Bonde do Zinho, Tropa do Z ou Família Braga, comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho. O MPRJ afirma que as duas teriam atuado politicamente em favor da organização criminosa.

Paes no centro da instrução

A presença de Eduardo Paes como testemunha ganha relevância porque, segundo a denúncia do Ministério Público, um dos episódios investigados envolve informações relacionadas à agenda do prefeito na Zona Oeste do Rio.

De acordo com a denúncia, em julho de 2021, Lucinha e sua ex-assessora teriam fornecido ao grupo informações privilegiadas sobre visitas de Paes à região. Segundo a acusação, as informações permitiriam que integrantes da milícia deixassem determinadas áreas antes da passagem do prefeito.

Lucinha chegou a arrolar o ex-governador Cláudio Castro como testemunha de defesa. Mas desistiu na última hora.

É justamente dentro desse contexto que o depoimento de Paes poderá ganhar importância para a acusação. O documento judicial, entretanto, não informa quais perguntas serão feitas ao prefeito ou qual será exatamente o conteúdo de seu depoimento.

Paes e Lucinha são aliados de longa data.

Duas audiências foram marcadas

A Justiça estabeleceu duas datas para a instrução do processo.

A primeira audiência foi marcada para 6 de agosto de 2026, às 11h30, na sala de audiências da 40ª Vara Criminal, no Centro do Rio, para a oitiva das testemunhas arroladas pelo Ministério Público.

A segunda está marcada para 13 de agosto, também às 11h30, no mesmo local, para ouvir as testemunhas indicadas pelas defesas e realizar o interrogatório das rés.

Delegado da PF também está entre testemunhas

Além de Eduardo Paes, o Ministério Público indicou outras testemunhas para a fase de instrução. Entre elas está o delegado da Polícia Federal Jaime Cândido da Silva Júnior, atualmente lotado na Diretoria de Inteligência da PF, em Brasília.

O MP pediu a substituição de duas testemunhas anteriormente indicadas e teve o pedido deferido pelo relator. A Justiça determinou que o delegado seja ouvido preferencialmente por videoconferência.

Também foi arrolado o promotor de Justiça Bruno Humelino de Oliveira, para quem a Justiça solicitou ao Ministério Público informações sobre a possibilidade de comparecimento presencial ou depoimento remoto.

Acusação aponta atuação política em favor da milícia

Segundo o MPRJ, a investigação que deu origem à denúncia foi baseada em elementos reunidos na Operação Dinastia I. A acusação sustenta que a milícia de Zinho possuía diferentes núcleos e que Lucinha e sua ex-assessora fariam parte do chamado núcleo político da organização.

A denúncia também aponta supostas interferências políticas da parlamentar em favor de integrantes do grupo criminoso. Em dezembro de 2025, o Órgão Especial do TJRJ recebeu a denúncia e tornou Lucinha e Ariane rés na ação penal.

A partir da instrução, o Ministério Público busca produzir provas por meio dos depoimentos das testemunhas, enquanto as defesas terão oportunidade de apresentar suas próprias testemunhas e, posteriormente, serão realizados os interrogatórios das acusadas.

O processo é relatado pelo desembargador Milton Fernandes de Souza, que delegou os atos de instrução à juíza auxiliar da Presidência do TJRJ Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto.

O caso não tramita em sigilo. 

Confira a íntegra do documento: MPRJ Instrução e julgamento caso Lucinha. Testemunha Eduardo Paes e Cláudio Castro.

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