Segunda mulher de Bolsonaro e ex-assessores de Carlos Bolsonaro também foram alvo de quebras de sigilo

Entre as quebras de sigilos bancário e fiscal determinadas pela Justiça do Rio de Janeiro que atingiram o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e outras 26 pessoas, também foi alvo Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo informações do portal de notícias UOL, o núcleo investigado possui, além de Ana Cristina, outros seis parentes dela que foram assessores do vereador na Câmara do Rio.

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) confirmou ao GLOBO nesta terça-feira que o inquérito que apura a contratação de supostos funcionários fantasmas e da prática de “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro tramita, em sigilo, na 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro. O Tribunal de Justiça do Rio também confirmou que as quebras foram deferidas no dia 24 de maio.

O MP também pediu ao TJ-RJ a quebra de sigilos do publicitário André Valle e da fisiculturista Andrea Valle, ambos irmãos da ex-mulher do presidente. Ainda constam na lista o ex-marido de Andrea, Gilmar Marques, a cunhada de Ana Cristina, Marta Valle.

O primo de Ana Cristina e ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, Guilherme de Siqueira Hudson também teve o sigilo quebrado. Além dele, sua esposa, Ananda Hudson, e sua cunhada, Monique Hudson, também foram alvo do pedido do Ministério Público. Os três constavam como assessores de Carlos, mas sempre moraram em Resende, no sul do estado do Rio, e as mulheres cursavam ensino superior na cidade no mesmo período em que estavam nomeadas na Câmara.

A investigação do MP começou a partir de reportagem da Época que revelou que Carlos empregou sete parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e sua madrasta. Dois admitiram à reportagem nunca ter trabalhado para o vereador, embora estivessem nomeados. Segundo levantamento do GLOBO, Carlos Bolsonaro empregou no total 17 pessoas com laços familiares no gabinete na Câmara do Rio, desde 2001.

Após dois anos de apuração, o MP aponta ter indícios de que assessores do vereador não cumpriram os expedientes devidos na casa e, por isso, podem ser considerados funcionários “fantasmas”.

Em documento obtido pela GloboNews, investigadores do MP citaram que o modus operandi da “rachadinha” também foi detectado no gabinete do então deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro, irmão de Carlos Bolsonaro. A prática no gabinete do vereador, segundo os promotores, está associada a saques de dinheiro em espécie das contas dos assessores fantasmas, e que são entregues a funcionários de confiança responsáveis pela arrecadação. O dinheiro acaba sendo utilizado para pagar despesas ou adquirir bens para o parlamentar.

Fonte: O Globo

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