Rodrigo Bacellar é um dos alvos do inquérito que afastou Witzel

No inquérito de mais de 400 páginas, a Procuradoria Geral da República relata que, no anexo 31 de sua delação, o ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos cita a participação dos deputados estaduais Rodrigo Bacellar (SDD) e Márcio Canella (MDB) na organização criminosa que desviou recursos da Saúde no combate à pandemia da Covid-19, informa a coluna Extra, Extra.

O Portal Tribuna NF teve acesso ao inquérito.

De acordo com a PGR, “O Deputado Estadual RODRIGO BACELLAR, que é líder do Partido Solidariedade no Norte, Noroeste e Lagos Fluminense87 , deixou de lado as necessidades dos sistemas regionais de saúde para privilegiar suas bases eleitorais, sobrepondo projetos de poder aos interesses da população. Por essa razão Campos dos Goytacazes, região na qual ambos, ANDRÉ CECILIANO e RODRIGO BACELLAR, possuem interesse político e procuram emplacar candidato próprio à prefeitura88 , foi um dos prestigiados pela dupla:

“A intermediação de RODRIGO BACELLAR foi previsivelmente noticiada na região:89 Consulta ao SIAFE-RIO revelou que o Município de Campos é contratante da organização social NOVA ESPERANÇA, que comprovadamente integra a organização criminosa em análise, como já detalhado em tópico próprio, ao qual se remete para evitar
repetições desnecessárias. Essa descoberta reforça o entrelaçamento entre os diversos núcleos da organização criminosa, notadamente o núcleo político, no seu braço dentro da Alerj, e o núcleo econômico. A ver:

A preferência pelos Municípios de Bom Jesus de Itabapoana, Carapebus e São Fidélis segue a mesma lógica. O prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, Roberto Tatu, eleito em 2016 – com chances, portanto, de concorrer este ano à reeleição –, também integra o partido Solidariedade 90
.
A Vice-Prefeita de Carapebus, Marinette Manhães Possidonio, também pertence ao mesmo partido de RODRIGO
BACELLAR, assim como o Prefeito de São Fidélis, Município que recebeu, em maio de 2020, 2 milhões de reais em contexto temporal no qual somente três Municípios foram agraciados com repasses (mesmo em meio à crise epidemiológica que assola o Estado) – valor este também absolutamente dissonante da média que era recebida.
Mesmo nos demais meses de 2020 é possível visualizar um aumento desproporcional. Confiram-se os destaques na planilha seguinte:”, narra o MPF.

Mais cedo, o Presidente da Alerj, André Ceciliano, rebateu as acusações e diz estar tranquilo:

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado André Ceciliano, está acompanhando os desdobramentos da Operação Tris in Idem e seus impactos na governança do Estado do Rio de Janeiro.

Ceciliano desconhece as razões da busca e apreensão em seus gabinetes no prédio da Rua da Alfândega e no anexo, mas está tranquilo em relação à medida. Ele pôs à disposição dos agentes da PF seu gabinete no Palácio Tiradentes, que não estava incluído no mandado.

Ceciliano reitera a sua confiança na Justiça e afirma que está pronto a colaborar com as autoridades e a contribuir com a superação desse grave momento que, mais uma vez, o Rio de Janeiro atravessa. Ele também colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição das autoridades.” 

O Portal Tribuna NF abre espaço para os deputados Rodrigo Bacellar e Marcio Canella.

Bacellar falou a coluna de Berenice Seara:

“Deputado estadual Rodrigo Bacellar (SDD), acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter montado um esquema de distribuição de recursos nas cidades de Campos de Goytacazes, Bom Jesus de Itabapoana, Carapebus e São Fidélis, para fortalecer sua base eleitoral no Norte e no Noroeste Fluminense, diz que a ajuda foi feita às claras.

Disse o deputado que, quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil, havia quatro hospitais filnatrópicos em Campos — que atendem a torda a região — sem receber repasses há quatro meses, com salários e pagamentos a fornecedores atrasados.

“É natural que eles peçam ajuda aos deputados da região. É natural que eu, que tenha construído, com o meu trabalho, um bom relacionamento que eu tenho com o presidente da Assembleia, André Ceciliano, e com o vice-governador, Cláudio Castro, consiga mais recursos. Conseguir o aporte de R$ 8 milhões e dividi igualmente, R$ 2 milhões para cada um”, disse o deputado.

Bacellar afirmou, ainda, que tudo isso foi feito às claras.

“Foi tudo assinado na secretaria, com o secretário, os quatro mantenedores dos hospitais, em reunião aberta. E dos quatro diretores, eu só conhecia um, que por acaso foi vereador”, disse. “Se disserem que aportar dinheiro para um hospital que precisa é crime, náo sei mais o que fazer como parlamentar. Nem disputando eleição estou”.

O deputado critica, segundo ele, a denúncia ter sido feita com base apenas na delação do ex-secretário de Saúde Edmar Santos.

“O cara rouba sozinho e depois quer botar todo mundo no fogo”, reclamou.”

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