19/06/2024
Política

Renan diz que Lira ‘delira’ sobre análise de MPs, e presidente da Câmara sugere ‘psicanalista’ a senador

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), aliado próximo do presidente Lula (PT), bateram boca nas redes sociais nesta quinta-feira por conta do impasse sobre a retomada das comissões mistas para a análise de medidas provisórias (MPs). Renan, que é favorável às comissões, acusou Lira de tentar “usurpar” as funções do Senado, referindo-se à defesa do presidente da Câmara de que as MPs sigam sendo analisadas nos plenários das duas Casas.

Lira e Renan são adversários políticos em Alagoas. O cenário local também foi mencionado por Renan, que provocou Lira afirmando que derrota seus oponentes “em eleições diretas” e que seus adversários “gostam de indiretas”. Em suas publicações nas redes sociais, o senador frisou que a retomada das comissões mistas, anunciada nesta quinta-feira pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), “enterra um pendor imperial”, e fez um trocadilho com o sobrenome de Lira.

“O rito das MPs é constitucional, não paroquial. Sou defensor das diretas, desde as Diretas-Já, ao contrário dos meus adversários em Alagoas que gostam de indiretas. Aliás, os derroto em eleições diretas e, por isso, Arthur delira sem compreender o tamanho do cargo que ocupa”, escreveu Renan.

O presidente da Câmara reagiu, também nesta quinta-feira, respondendo a outra publicação de Renan, do dia anterior, na qual o senador havia chamado Lira de “tiranete”. Em sua resposta, Lira criticou a postura do senador emedebista e lhe sugeriu “a cadeira do psicanalista”.

“O bom da liberdade de expressão é que permite até os bobos se manifestarem, embora no geral se comportem de maneira ridícula, panfletária e incendiária. Para gente desse naipe o melhor seria a cadeira do psicanalista, não a do parlamento, pois em nada contribui com a democracia”, publicou Lira na noite desta quinta.

Horas antes, o presidente da Câmara havia publicado uma nota oficial na qual classificou como “positiva” a decisão do Senado de enviar 13 medidas provisórias do governo Bolsonaro para serem analisadas pelos deputados ainda neste mês.

Apesar do gesto de Pacheco, Lira também acusou o presidente do Senado de agir com “truculência” por reinstalar as comissões mistas para análise de MPs. O presidente da Câmara defende a continuidade do rito adotado na pandemia, quando as MPs tinham prazo de 90 dias para serem analisadas no plenário da Câmara e de 30 dias para análise no Senado.

Já os senadores reclamam do procedimento sob o argumento de que ficam com prazo “espremido” para discutir as MPs. O presidente da Câmara, por sua vez, alega que as comissões mistas, embora sejam previstas na Constituição, seriam “antidemocráticas” por privilegiarem o Senado em sua composição.

O Globo*

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