‘Rainha dos Reboques’ é alvo de operação no Rio; polícia investiga supostas fraudes em leilões

A empresária e influenciadora digital Priscilla Santos, conhecida como a “Rainha dos Reboques”, é alvo de buscas na Operação Rebocar, deflagrada pela Polícia Civil do RJ nesta quarta-feira (8). Agentes procuravam detalhes sobre possíveis fraudes nos leilões organizados por Priscilla. Até a última atualização desta reportagem, ela não tinha sido encontrada.

A defesa da empresária afirmou que a operação “é mais um ato ilegal e precipitado do Estado” contra ela.

Agentes da Delegacia de Defraudações saíram para cumprir oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Priscilla, no Rio e na Baixada Fluminense.

Um deles é a casa dela, no condomínio de luxo Mansões, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Pessoas que estavam na residência afirmaram não saber onde Priscilla estava.

Priscilla é proprietária da Rebocar, uma das maiores empresas de reboques do país, e ostenta uma vida de glamour nas redes sociais.

Em 2019, a Rebocar Remoção e Guarda de Veículos, com sede em Guarapari, no Espírito Santo, firmou um contrato com o Detro — o departamento estadual que fiscaliza os transportes rodoviários — para prestar serviços de reboque, guarda e leilão de veículos apreendidos. O valor era de R$ 25 milhões para o Lote 1, que contemplava as cidades do Rio, Niterói e São Gonçalo.

Em abril, o RJ2 revelou que a firma devia a funcionários e a contratantes. Só com o Detro, o montante chegou a R$ 5 milhões, em arrecadações de leilões não repassadas.

A delegacia especializada tinha aberto ainda em abril um procedimento contra Priscilla e a Rebocar para apurar possíveis estelionato e organização criminosa.

Ex-funcionários e amigos também são alvo da operação.

Funcionários comiam no chão

Funcionários de Priscilla Santos afirmaram que costumavam comer no chão. Os colaboradores disseram que a cena era comum na empresa da empresária. Um deles contou que as condições eram insalubres.

“A gente almoçava no chão. Tinha vezes que não tinha água para beber e, muitas das vezes, a parte da gerência ia comprar coisas básicas em cima da hora. Então, sempre estava faltando alguma coisa. Tipo papel higiênico, tipo água, mesmo, itens para lavar a mão”, contou um funcionário.

Além disso, o salário não era pago em dia. Um funcionário contou que ficou cinco meses sem receber. O colaborador também não teve as férias pagas e precisou entrar com uma rescisão unilateral para poder deixar a empresa. Ele também não conseguiu dar baixa na carteira de trabalho.

Sequência de calotes

No Rio, a empresária não deu calote apenas em funcionários, que ficaram sem salários. A Rebocar também era responsável pelos leilões dos carros que não eram recuperados nos pátios para onde os veículos eram levados a mando do Detro. Priscilla vendeu todos os carros, mas não repassou um centavo aos cofres públicos.

Fornecedores também reclamam pela falta de pagamento. Um técnico que instalou cabos de rede, internet e telefonia no pátio de Vargem Grande afirma que Priscilla lhe deve R$ 80 mil.

E mesmo alguns automóveis arrematados não eram entregues. Uma compradora afirmou ter dado R$ 26 mil num lance supostamente vencedor, mas um ano se passou, e o Logan jamais foi entregue.

O RJ2 também mostrou que pessoas ligadas a Priscilla ficavam com carros anunciados nos leilões, mas não pagavam.

Ex-funcionários afirmaram ainda que a Rebocar não avisava a tempo aos proprietários que os veículos estavam indo a leilão e que automóveis eram furtados dentro dos pátios.

Outra dívida foi com o aluguel do terreno em Vargem Grande usado como pátio para os carros rebocados. A cobrança de R$ 2 milhões foi parar na Justiça.

O que diz a defesa

A defesa de Priscila Santos informou, em nota, que “esta operação é mais um ato ilegal e precipitado do Estado contra a empresária”.

“Desde que a Rebocar venceu licitamente o processo licitatório para operar no Estado do Rio de Janeiro, a empresária vem sofrendo diversas ameaças e retaliações por não aceitar se envolver em esquemas criminosos”, destacou.

“Há cerca de duas semanas, representamos ao Ministério Público a respeito de alguns fatos que vêm ocorrendo. Oferecemos documentos comprobatórios de nossas alegações e, devido à gravidade da situação apresentada, solicitamos o auxílio do Gaeco nas investigações, mesmo sabendo que tal solicitação só poderia ser feita pelo promotor natural do caso, o que, ainda, não ocorreu”, explicou.

“Ao longo das investigações provaremos a lisura de nossa cliente”, frisou.

Fonte: G1

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