Prefeitura de Campos anuncia que escolas e creches terão eleições para diretores em 2022

A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) está estudando o melhor modelo para eleição de diretores de escolas e creches do município, que será realizada no próximo ano. Seguindo orientação do prefeito Wladimir Garotinho, será aberta a discussão dos critérios que irão nortear o processo que definirá gestores das 234 unidades municipais, com a participação da comunidade escolar. Na manhã desta quinta-feira (21), o secretário da pasta, Marcelo Feres, promoverá reunião on-line com os atuais gestores para tratar do assunto.

“Por princípio, todos os atuais diretores e vice-diretores que desejarem poderão concorrer novamente nas eleições do próximo ano”, assegurou.

Segundo Marcelo, a proposta é contar com a participação do Conselho Municipal de Educação para que o modelo atenda a todos os atores do processo de ensino-aprendizagem da melhor forma. A rede municipal atende cerca de 54 mil alunos matriculados, número maior do que algumas cidades do interior do Rio de Janeiro. Através da eleição direta, professores, funcionários das unidades, pais de alunos e os estudantes participarão da eleição, contribuindo de forma democrática para escolha dos novos gestores.

“Com a participação de toda comunidade escolar é possível que haja maior interação entre a instituição de ensino e a comunidade. Neste retorno gradativo às aulas presenciais, a partir das medidas que estão sendo tomadas, dentre elas, as melhorias na estrutura das creches e escolas, essa participação será muito importante neste processo, que não é simples. Não queremos impor nada. Queremos construir uma eleição justa e que atenda a todos da melhor forma para que o resultado possa ser revertido em melhorias para os nossos alunos e no andamento das nossas escolas e creches”, destaca o secretário.

Vice-diretor desde 2009 no CIEP Custódio Siqueira, no bairro Calabouço, José Geraldo Neves, graduado em Filosofia, Teologia e Pedagogia, e especialista em Supervisão Escolar, acredita que esse é um ponto positivo.

“Como democrata, sou plenamente favorável ao pleito eleitoral para direção das escolas e isso é previsto na Constituição Federal de 1988. Certamente, vai dar um passo de aprimoramento de toda a vivência democrática no nosso país, e também para que as escolas possam exercer esse direito e buscar melhorias. É uma oportunidade de a comunidade expressar sua opinião e buscar propostas melhores para que o processo de educação naquele bairro, naquela comunidade, aconteça e seja aprimorado. Sou plenamente favorável que isso ocorra após considerar a estrutura das unidades que, em razão da pandemia, viveram uma grande desarticulação. Mas a eleição é momento ímpar e bastante oportuno para que cada escola eleja a melhor proposta, renove ou dê continuidade ao que precisa ser feito”, opinou.

Maria de Fátima Alonso é diretora há 12 anos na Escola Municipal Frederico Paes Barbosa, no Parque Novo Mundo. Graduada em Pedagogia e em Português e Espanhol, tem especialização em Planejamento Educacional e em Espanhol. A gestora também falou sobre a medida.

“Considerando a necessidade de se pensar em políticas públicas que visem à democracia e bem-estar social, acho que a eleição para gestores é de extrema importância para efetivar um processo democrático de gestão em que a comunidade escolar possa manifestar seu desejo através de uma ação participativa”, disse.

Há 10 anos na gestão da Creche Escola Municipal João Siqueira dos Santos, na Tapera, Kelly Soares, concordou. “Qualquer eleição bem estruturada é um processo democrático, essencial a uma gestão livre e empoderada. Dar à comunidade escolar a possibilidade de participar do processo de escolha daqueles que vão gerir a unidade escolar é parte desse empoderamento. Ter profissionais capacitados atuando na gestão faz toda a diferença no processo educacional. Juntos, desenvolvemos um projeto político pedagógico, com participação da comunidade escolar; por conhecermos e pertencermos à unidade, buscamos solucionar questões que perpassam o ensino em si, juntamente com as famílias. Existe todo um ambiente familiar e favorável a essa interação sadia. Sem a eleição, perde-se a autonomia da comunidade escolar, a transparência do processo de escolha e, com isso, o empoderamento deste meio tão importante ao processo educacional”, ponderou.

Subcom*

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