Polícia Civil deflagra “Operação Último Suspiro” contra grupo responsável por desviar fortuna milionária de empresário com câncer em estágio terminal

Policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF) deflagraram, nesta segunda-feira (01/06), a “Operação Último Suspiro”, uma ofensiva contra um esquema criminoso de fraude envolvendo precatórios milionários. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra os indivíduos que teriam se aproveitado da fragilidade de um empresário com câncer em estágio terminal para assumir o controle de empresas e movimentar valores exorbitantes. Os alvos são investigados por crimes de estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. As diligências, que contam com apoio de policiais do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), ocorrem no Centro e nas Zonas Sul, Sudoeste e Norte do Rio.
As investigações revelaram indícios de um sofisticado esquema criminoso em que o grupo atuava para assumir de forma indevida o controle de empresas detentoras de precatórios de elevado valor econômico. As alterações societárias consideradas suspeitas ocorreram três meses antes da morte de um empresário que enfrentava um câncer em estágio terminal.
De acordo com as apurações, o controle de empresas titulares desses créditos judiciais foi transferido para pessoas ligadas aos investigados. Paralelamente, novas pessoas jurídicas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento da origem e destino dos valores.
O trabalho investigativo da DDEF durou meses e identificou ainda indícios da utilização de documentos com assinaturas falsificadas, além da concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo investigado pouco antes do falecimento da vítima.
Outro elemento que chamou a atenção foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes da morte do empresário. Além disso, um testamento teria sido lavrado cerca de duas horas antes do óbito, atribuindo a uma das investigadas papel de testamenteira, inventariante e beneficiária do patrimônio. Os agentes identificaram que, apenas sete dias após a morte da vítima, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada, valor que teria origem em créditos relacionados aos precatórios.
O objetivo da ação desta segunda é cumprir mandados de busca e apreensão e arrecadar materiais que possam esclarecer a dinâmica financeira do esquema, além de contribuir para a responsabilização de todos os envolvidos.
Ascom*


