‘Nós estamos vulneráveis. Não há respiradores. A morte pode bater na sua porta’, alerta Witzel

Em entrevista ao Bom Dia Rio na manhã desta quinta-feira (9), o governador do RJ, Wilson Witzel, admitiu que não há respiradores em quantidade no estado e alertou que está difícil comprá-los.

‘Nós estamos vulneráveis. Não há respiradores. A morte pode bater na sua porta’, afirmou.

Segundo Witzel, nesta quinta o estado dispunha de 400 respiradores — acessório fundamental para pacientes graves de Covid-19. “É muito pouco. Nós não vamos ter condições de atender uma quantidade grande de pacientes se as pessoas não adotarem as medidas de restrição”, disse.

“As pessoas ainda não entenderam a gravidade do problema. Nós temos pedindo pelo amor de Deus para as pessoas ficarem em casa”, reiterou.

Esses equipamentos vêm da China. “A China está com dificuldades de fornecer porque o mundo inteiro está comprando. Há um leilão de quem paga mais”, frisou o governador.

Witzel disse que tentou, com as empresas do estado, um similar, mas não obteve sucesso.

“Não adianta fazer engenharia reversa — desmontar o aparelho — porque não há componentes no Brasil”, emendou.

Mais isolamento
Witzel também cobrou mais ação dos prefeitos no controle urbano. O jornal exibiu uma feirinha que segue funcionando nos arredores da Central do Brasil, um dos pontos de maior movimento do Centro da capital fluminense.

“Os prefeitos têm que botar fita e barreira. O calçadão está movimentado? Vai lá e fecha. Tem camelô? Isola”, afirmou Witzel.

O governador estimou que o controle da infecção de coronavírus deve durar cerca de dois anos. Ele não descartou a possibilidade de voltar a restringir os controles nas 30 cidades do interior do estado.

“Vamos passar uns dois anos fazendo esse controle. Abre a torneira, fecha a torneira”, afirmou o governador.

Wilson Witzel defendeu que, caso seja necessário apertar as medidas de isolamento, as autoridades policiais possam atuar em caso de descumprimento.

“É preciso ter instrumentos para, se precisarmos, termos medidas mais duras”, destacou o governador.

Preocupação com as comunidades

O governador comentou a declaração do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que haveria um plano de manejo que seria implantado em uma das comunidades do Rio.

“Hoje nós começamos a primeira, o plano de manejo, e eu não vou falar em qual comunidade será, mas começamos o primeiro, para fazer um teste, um teste piloto, porque ali você tem que entender cultura, dinâmica, ali a gente tem que entender que são áreas que muitas vezes o estado está ausente, que quem manda é o tráfico, quem manda é a milícia, como que a gente constrói essa ponte em nome da vida e a saúde dialoga sim com o tráfico, com a milícia, porque eles também são seres humanos e eles também precisam colaborar, ajudar, a participar”, afirmou na quarta (8) o ministro da Saúde.

O governador Wilson Witzel disse que não sabe sobre esse projeto que seria implementado em uma comunidade do estado. E que a principal medida para conter o avanço da Covid-19 nas áreas mais pobres é permanecer em casa.

Dificuldade em comprar equipamentos

O governador reconheceu que o Estado do Rio de Janeiro não possui todos os respiradores necessários para o caso do aumento na demanda por atendimento. Ele afirmou que está acontecendo um grande leilão por equipamentos, que estão sendo buscados por países de todo o mundo.

“Nós não estamos conseguindo comprar respiradores. Nós temos algo em torno de 400. É muito pouco. Nós não vamos ter condições de atender uma quantidade grande de pacientes se as pessoas não adotarem as medidas de restrição”, explicou Witzel.

Ele voltou a destacar a necessidade das medidas de isolamento social.

“As pessoas ainda não entenderam a gravidade do problema. Aquele que está na rua hoje está levando risco para toda a sociedade. Por isso ele deve ficar em casa”, afirmou o governador.

G1*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *