Política

Ninguém pode usar cargo para benefício pessoal, diz Lula sem citar Moraes

Fachin e Lula
Fachin e Lula reunião no Planalto. Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLOES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (4/9), uma “discussão profunda” sobre uma nova reforma no Judiciário e afirmou que ninguém pode, “em nome da democracia”, usar o cargo em benefício pessoal. A declaração ocorre em meio ao acirramento da crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, no caso do Banco Master.

“Tenho certeza que faremos no próximo ano uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário para que o povo possa continuar acreditando na Justiça. Porque ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites”, disse Lula, sem citar Moraes.

A fala foi feita durante um evento no Planalto, que contou com as presenças do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O ministro da Justiça, Wellington César, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, também participaram.

Lula fez cobranças a Fachin e a Gonet: “Está nas tuas costas [Fachin] e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada”.

Fachin também discursou, salientou que “nenhum poder está acima da lei”, defendeu o fim do inquérito das fake news e disse que os fatos envolvendo ministros do Supremo “estão sendo apurados” e que a Corte “seguirá procedimentos estabelecidas pela Constituição e pela legislação”.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. As instituições da República precisam ser preservadas, sobretudo no momento de maior tensão”, disse Fachin.

Ministros na crise do Master

A crise no Supremo escalou após o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master na Corte, abrir o sigilo da investigação contra Alexandre de Moraes.

As investigações indicam conversas do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master – pivô da maior fraude financeira da história do Brasil.

Após o ocorrido, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de que André Mendonça cometeu abuso de autoridade, crimes de responsabilidade e improbidade administrativa nos processos das operações Sem Desconto [escândalo do INSS] e Compliance Zero [fraudes do Banco Master], da Polícia Federal.

As informações são do Metrópoles.

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