Messer presta primeiro depoimento na Justiça desde a prisão e diz que era apenas cliente de doleiros Juca Bala e Tony

Conhecido como Doleiro dos doleiros, Dario Messer prestou depoimento na Justiça pela primeira vez desde que foi preso, em julho do ano passado, nesta terça-feira (3) no Rio. Ele negou o envio de remessas ilegais de dinheiro para o exterior e negou ser o “sócio capitalista” dos doleiros Claudio Barboza, o “Tony”, e Vinicius Claret, o “Juca Bala”.

Messer disse apenas que era cliente da dupla e que sacava dinheiro de uma conta que tinha em conjunto com eles, apesar das investigações indicarem remessas ilegais de até R$ 44 milhões para o exterior com sua participação.

Messer foi interrogado pelo juiz Alexandre Libonati de Abreu, da 2ª Vara Federal Criminal. Segundo as investigações do MPF, a empresa Comércio de Pedras O S Ledo usou os serviços de mercado de câmbio ilegal de Messes para enviar 44 milhões de dólares ao exterior, entre 2011 e 2017.

Ainda segundo o MPF, os doleiros Juca e Tony, que segundo o órgão trabalhavam para Dario Messer, abriram contas no Panamá para receber pagamentos da empresa, que vendia esmeraldas e pedras preciosas para empresários indianos. Para os investigadores, os dólares ocultos no exterior eram trazidos para o Brasil, mas não eram declarados.

Segundo Dario Messer, Juca e Tony trabalhavam com o pai dele, Mordko Messer, no mercado de câmbio ilegal. E quando Mordko decidiu sair do mercado de câmbio ilegal, deixou 3 milhões de dólares com eles continuarem o negócio.

O “doleiro dos doleiros” disse que apenas sacava esse dinheiro da conta que tinha com Juca e Tony para pagamentos pessoais, e que era apenas cliente de Juca e Tony.

Paraguai

Messer também falou sobre a decisão de morar no Paraguai e como começou a amizade com o ex-presidente e atual senador vitalício Horácio Cartes. Ele disse que decidiu morar no Paraguai porque gostava de fazendas e por isso conheceu Horácio.

Questionado pelo MPF, Messer disse desconhecer o quanto foi movimentado na conta denominada “Cagarras”, a conta dele junto a Tony e Juca.

Questionado por que foi para o Paraguai e não para a Suíça, já que gosta de fazendas e mercado financeiro, Messer disse que a estrutura tributária e o solo paraguaio ótimo para plantações.

Operação Câmbio Desligo
Messer ficou foragido quando foi deflagrada a Operação Câmbio Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. A investigação descobriu que doleiros movimentaram US$ 1,6 bi em 52 países. Dario Messer, que respondia a inquéritos policiais desde a década de 80, era o principal alvo.

Ele acabou preso em julho do ano passado, no apartamento da namorada, Myra Athayde, em São Paulo. Myra acabou presa em novembro, junto com parentes, mas foi solta mês passado. Todos foram acusados de ter ajudado Messer a ocultar dinheiro e fugir das autoridades no período em que esteve foragido da Justiça.

De acordo com o Ministério Público Federal, Dario Messer, juntamente com os colaboradores Tony e Juca Bala, desenvolveu uma complexa rede de câmbio paralelo baseada inicialmente no Brasil e, posteriormente, no Uruguai. Essa complexa rede de doleiros foi utilizada pelo ex-governador Sérgio Cabral, através dos irmãos doleiros Renato e Marcelo Chebar, para enviar recursos ao exterior.

G1*

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