24/05/2024
Economia

Localização, segurança, valor cultural: veja o que leva o metro quadrado a até R$ 100 mil no Rio

O valor do metro quadrado no Rio de Janeiro é influenciado por vários fatores, como a própria oferta e demanda num certo local (Leblon e Ipanema têm hoje menos espaço disponível que a Barra da Tijuca) e as características do imóvel: a qualidade da construção, a idade dele e os recursos disponíveis (estacionamento, áreas de lazer e sistemas de segurança). Mas não só, como explica o CEO da WhereInRio, Frederic Cockenpot, que atua no segmento desde 2007.

— Por exemplo, a localização, a proximidade de áreas comerciais, praias. Isso influencia diretamente o valor do metro quadrado. Também a segurança. Bairros com baixos índices de criminalidade e uma sensação geral de segurança tendem a atrair investidores e aumentar o valor do metro quadrado. Outro fator é o potencial de crescimento. Regiões em expansão, com perspectivas de desenvolvimento econômico, valorização imobiliária e melhorias na infraestrutura, geralmente têm preços mais altos — destaca o especialista.

O consultor também cita o valor cultural e histórico das áreas e o nível socioeconômico da região como pontos de influência nos preços. Além disso, no Rio, a precificação também leva em conta “a natureza exuberante” da cidade, segundo ele, que contribuem para valorizar mais algumas áreas.

O valor médio do metro quadrado de residências à venda, no Rio de Janeiro, é de R$ 9.289, de acordo com os dados de junho do Centro de Pesquisa e Análise de Informação do Secovi Rio, o sindicato que representa condomínios, comércios e serviços imobiliários. No entanto, no mercado de luxo, que está em alta diante da recessão da Europa e da guerra na Ucrânia, os preços saltam até dez vezes. O GLOBO identificou propriedades sendo vendidas em sites abertos ao público com valores do metro quadrado que vão de R$ 72 mil a R$ 100 mil — todas de frente para o mar.

Com R$ 60 milhões, um comprador pode adquirir um apartamento de luxo de 600 metros quadrados em Ipanema, na Zona Sul. O imóvel tem varanda panorâmica com piscina e vista para o mar, quatro suítes, sala de estar com três ambientes e três dependências de funcionários. No mesmo bairro, outro apartamento, de 372 metros quadrados, sai por R$ 30 milhões (R$ R$ 80.645 por metro quadrado). São três suítes, home theater com adega climatizada, closet duplo, sala com três ambientes, sistema de luz e som automatizado, além de uma copa-cozinha com churrasqueira móvel e vista ampla para o mar.

No Leblon, também na Zona Sul, um apartamento com cinco quartos, pórtico em madeira, hall em mármore, sala de música, entre outros itens de luxo, tem preço total de R$ 39 milhões e o metro quadrado, de R$ 72.222. Proporcionalmente, é um valor semelhante ao de um apartamento na orla da Barra da Tijuca, Zona Oeste, anunciado por R$ 55 milhões (R$ 72.084 por metro quadrado) e que dispõe de quatros para prataria, para malas e seis quartos, sendo cinco suítes. Os imóveis são negociados pela Bossa Nova Sotheby’s International Realty.

O valor do metro quadrado, por rua

Um levantamento feito pelo Secovi Rio, a pedido do GLOBO, apontou o valor do metro quadrado ofertado em algumas das ruas mais conhecidas do Rio. Na Delfim Moreira, no Leblon, apontada como o logradouro mais valorizado por consultores especializados, o valor médio do metro quadrado é de R$ 51.886, mas pode chegar a R$ 91.845. Já na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, o metro quadrado custa, em média, R$ 38.683, podendo alcançar o valor de R$ 86.956. Veja a lista abaixo:

  • Av. Delfim Moreira (Leblon) – valor médio de R$ 51.886/m², podendo chegar a R$ 91.845/m²
  • Av. Vieira Souto (Ipanema) – valor médio de R$ 38.683, podendo chegar a R$ 86.956/m²
  • Rua Garcia D’Ávila (Ipanema) – valor médio de R$ 26.341, podendo chegar a R$ 36.352/m²
  • Av. Borges de Medeiros (Lagoa) – valor médio de R$ 23.921, podendo chegar a R$ 37.606/m²
  • Rua dos Oitis (Gávea) – valor médio de R$ 21.031, podendo chegar a R$ 26.972/m²
  • Av. Atlântica (Copacabana) – valor médio de R$ 17.445, podendo chegar a R$ 52.459/m²
  • Avenida Lúcio Costa (Barra) – valor médio de R$ 17.385, podendo chegar a R$ 54.849/m²
  • Rua Lopes Quintas (Jardim Botânico) – médio de R$ 16.054, podendo chegar a R$ 22.549/m²
  • Av. Oswaldo Cruz (Flamengo) – valor médio de R$ 11.048, podendo chegar a R$ 20.446/m²

O CEO da WhereInRio, Frederic Cockenpont, é um dos corretores especializados no segmento de luxo do Rio. Atuante nesse mercado desde 2001, ele instalou o negócio no Rio em 2007. De lá para cá, diz que viu o metro quadrado chegar a até R$ 100 mil no Leblon. Mas ele pondera que boa parte dos imóveis de alto padrão são reservados ao público VIP, com informações em sigilo. Um desses apartamentos “off market” está no portfólio da WhereInRio e tem metro quadrado de quase R$ 80 mil.

O valor do metro quadrado, por bairro

De acordo com o Índice FipeZap, publicado em boletim da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de março último, o Rio de Janeiro tem o quinto metro quadrado mais caro do país (em média, R$ 9.790/m²). Fica atrás de Balneário Camboriú, em Santa Catarina (média de R$ 11.635/m²); Itapema, também em SC (R$ 10.804/m²); São Paulo (R$ 10.260/m²); e Vitória, no Espírito Santo (R$ 10.238/m²).

Veja também, abaixo, o ranking dos bairros com o metro quadrado médio mais caro, de acordo com o Secovi Rio.

  • 1º Leblon – R$ 22.466,64 por metro quadrado
  • 2º Ipanema – R$ 20.077,12
  • 3º Lagoa – R$ 16.640,55
  • 4º Gávea – R$ 15.777,83
  • 5º Jardim Botânico – R$ 15.713,62
  • 6º Urca – R$ 14.347,42
  • 7º Botafogo – R$ 12.635,43
  • 8º Barra da Tijuca – R$ 12.298,36
  • 9º Joá – R$ 12.207,40
  • 10º Humaitá – R$ 11.989,96
  • 11º São Conrado – R$ 11.861,84
  • 12º Leme – R$ 11.109,85
  • 13º Copacabana – R$ 11.027,15
  • 14º Flamengo – R$ 10.468,11
  • 15º Cosme Velho – R$ 10.111,78

Fonte: O Globo

Alerj

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