Lista de funcionários fantasmas da Alerj inclui pastor, dona de salão e indicações políticas

RIO — A lista de funcionários fantasmas lotados na Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa do Rio ( Alerj ) reúne assessores ligados a PT, PP e MDB, um pastor evangélico, uma dona de salão de beleza e até um morador de Búzios, município da Região dos Lagos distante 175 quilômetros da capital. Nesta quinta-feira, O GLOBO revelou que há 42 funcionários do setor que não aparecem para trabalhar, segundo a própria chefia do órgão.

Um dos casos é o de Adionson Farias, nomeado em março do ano passado. Antes, ele estava vinculado ao gabinete do deputado Gilberto Palmares (PT), a quem também acompanhou na passagem do parlamentar pela Secretaria de Administração de Maricá. Na prática, o assessor continua trabalhando para o deputado, mesmo formalmente fora do gabinete.

— Eu trabalho no apoio, pagando contas. Estou com o Gilberto Palmares desde 1997 — disse, por telefone, Adionson, que não soube explicar o motivo de estar ligado à Procuradoria-Geral. — Não sei te dizer.

Palmares afirmou que, por não ter sido indicado para presidir nenhuma comissão — o que lhe daria direito a mais cargos —, combinou com o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), que indicaria um nome para a Procuradoria-Geral.

— Ele (Ceciliano) me permitiu indicar uma pessoa que permaneceria trabalhando conosco. Mas eu e meu chefe de gabinete temos condições de provar que o Adionson é figura assídua, trabalha todo dia. Não dá para misturar com outros casos — reclamou o deputado, acrescentando que presidiu uma frente parlamentar na área da saúde sem estrutura adicional de comissionados.

Conhecido em Búzios como Bibinho — já foi candidato a vereador e ocupou um cargo na prefeitura da cidade —, Sherman Willians disse que, na verdade, dá expediente na primeira-secretaria da Casa, não na Procuradoria-Geral, onde está lotado com um salário líquido de R$ 2,9 mil. Ao ser questionado sobre como faz para percorrer diariamente a distância entre Búzios e a Alerj, afirmou que tem a ajuda de familiares.

— Tenho parentes no Rio. Chego na segunda e vou embora na sexta — argumentou.

As procuradoras da Casa que atestaram a possível irregularidade afirmaram que, mensalmente, chega à Procuradoria “uma enorme quantidade de cartões de ponto de servidores que não se encontram desempenhando funções neste local”. A Alerj instaurou um processo administrativo e informou que deve apresentar um resultado até o fim do mês.

Também procurada por telefone, Bruna Calafange, dona de um salão de beleza desde 2017, disse que não daria explicações porque já havia se justificado na apuração aberta pela Alerj — ela pediu exoneração da Assembleia em dezembro. Outros nomes da lista são o de Soraia Joulak, que fez campanha para Leonardo Picciani (PMDB) na última eleição, e Marilyn Pedrosa, filiada ao PP — elas não foram encontradas para comentar.

Já o pastor evangélico Huguaraci Simões, à frente da Assembleia de Deus Aijalom, em Nova Iguaçu, ficou irritado ao ouvir as perguntas e disse que só daria as explicações pessoalmente.

— Não te conheço, grande. Você é detetive?

Fonte: O Globo

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