Justiça do Rio manda soltar músico preso após ser confundido com filho de traficante

A Justiça do Rio mandou soltar o músico preso após ser confundido com filho de traficante. O alvará de soltura de Vinícius Matheus Barreto Teixeira, de 21 anos, deve ser expedido ainda nesta quarta-feira (13).

Os pais do jovem estão de plantão na porta do Complexo Prisional de Benfica, na Zona Norte do Rio, aguardando pela liberdade do filho.

Vinícius foi preso no dia 4 de outubro, em Macaé, no Norte Fluminense, acusado de associação ao tráfico.

Os parentes afirmam que Vinícius foi confundido com o filho de um chefe do tráfico do Morro do Palácio, em Niterói. O criminoso tem exatamente o mesmo nome do pai dele.

No último sábado (9), o pai e a mãe de Vinícius conseguiram visitar o jovem e informaram sobre a situação do processo.

“Passamos tudo isso pra ele, o que está acontecendo, e ele tá entendendo que foi um erro, que não tá certo o que estão fazendo”, disse a mãe de Vinícius.

Erro na investigação

Em 2017, um inquérito na Delegacia de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, investigou o tráfico no Morro do Palácio.

Na época, a delegacia era chefiada pelo delegado Gláucio Paz da Silva e a polícia identificou o traficante conhecido como Feio, como o líder do crime na favela. Messias Gomes Teixeira, o “Feio”, foi preso em 2018 apontado como chefe do tráfico na região.

Em uma delação colhida pela polícia, foi relatado que o filho de “Feio” seria responsável por recolher o dinheiro da venda de drogas na comunidade. O filho do traficante foi identificado pela polícia como Vinícius Matheus Barreto Teixeira.

Em 2018, na denúncia da promotora Elisabete Barbosa Abreu, o Ministério Público também afirmou que Vinícius recolhia o dinheiro no morro por ser filho do traficante Feio.

Com base nessas acusações, Vinícius teve a prisão decretada e depois foi condenado em primeira instância pelo juiz João Guilherme Rosas Filho.

O pai de Vinícius também se chama Messias Gomes Teixeira, assim como o traficante Feio, mas são pessoas diferentes.

Tudo indica no inquérito e no processo que o filho do Messias traficante também está envolvido com o crime. Contudo, nem a polícia e nem a Justiça sabem o nome dele.

Diferença na identidade

Outro erro da Justiça durante o processo foi em relação a data de nascimento do pai de Vinícius. O Messias que está preso por tráfico nasceu no dia 24 de dezembro de 1979, diferente do pai do jovem preso, que nasceu em 26 de fevereiro de 1975.

Além da data de nascimento, a filiação dos dois também é outra. Essas diferenças não foram percebidas pela polícia no inquérito, nem pelo Ministério Público na denúncia e nem mesmo pela Justiça na hora da condenação.

O que dizem os envolvidos

A juíza Juliana Ferraz Krykthtine, da 4ª Vara Criminal de Niterói, responsável pelo processo, informou nesta terça que só foi procurada pelo advogado de Vinícius na última sexta-feira (8), depois do expediente.

Já o Ministério Público informou que, como o processo é físico, só vai poder analisar o caso depois do feriado.

A Polícia Civil reconhece que alguma falha pode ter acontecido nas investigações que geraram o inquérito e que vai instaurar um procedimento disciplinar para apurar o caso.

G1*

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