Justiça determina sequestro do carro blindado que delegada Adriana Belém deu ao filho

A Justiça determinou o sequestro do carro blindado que delegada Adriana Belém deu ao filho de 18 anos. As investigações apontam para a suspeita de lavagem de dinheiro.

A Corregedoria da Polícia Civil tinha pedido a apreensão do veículo no dia 20. Agora, o veículo vai ficar em custódia da Justiça até o fim do processo. Se for configurado o crime ele continua com o estado, senão ele é devolvido. O carro deve ser apreendido na semana que vem.

Na decisão, o juiz Marcello Rubioli estabelece medidas cautelares para o sobrinho da delegada, Richard Henrique Belém da Silva. Ele vai ter que usar tornozeleira eletrônica.

A Justiça também determinou uma buscas de imóveis no nome de Richard nas regiões do Leme, Copacabana, Ipanema, Engenho de Dentro, Encantado, Piedade, Cascadura, Abolição, Pilares, Bonsucesso, Ramos, Quintino, Higienópolis, Tomás Coelho e Olaria, Inhauma. A objetivo é saber se a aquisição de um deles foi usado para lavar dinheiro.

Presa no último dia 10, durante a Operação Calígula, por suspeita de participar do esquema comandado pelo bicheiro Rogério Andrade e pelo policial militar reformado Ronnie Lessa, Adriana Belém tinha em casa R$ 1,8 milhão em espécie escondidos em malas.

Em fevereiro deste ano, Belém comprou um Jeep Compass, segundo as investigações, por R$ 181 mil em dinheiro. O veículo dado de presente para o filho de 18 anos teria sido adquirida e registrada no nome da empresa do sobrinho da delegada.

Segundo o relatório, “apesar de pertencer claramente a Adriana”, o carro, comprado numa concessionária da Barra da Tijuca, foi pago à vista e em dinheiro no dia 24 de janeiro e registrado no nome da empresa: Richard Belém Sociedade Individual Advocacia, do sobrinho da delegada, Richard Henrique.

“Os indícios apontam para uma possível dissimulação de bens adquiridos com proveito supostamente de infração penal. Pelo menos um automóvel, um Jeep Compass, dado por Adriana ao seu filho de presente de aniversário, no valor de 180 mil reais, pertencente à delegada de polícia e estaria vinculado a uma pessoa jurídica”, explicou o delegado Marcos Buss.

De acordo com o delegado, a compra do veículo caracteriza uma prática bastante comum de quem está lavando dinheiro.

“Esse expediente é um expediente muito característico da modalidade lavagem de dinheiro, de dissimulação porque a pessoa vincula o seu patrimônio ao nome de terceiras pessoas, em geral pessoas jurídicas, de modo que o patrimônio não apareça como sendo dela”, completou.

Blindagem suspeita

Além da apreensão do carro, uma vez que o relatório indica que há “existência de indícios veementes da proveniência ilícita do bem em questão”, outra negociação está sendo investigada pela Corregedoria: a blindagem do veículo.

Segundo os investigadores, o carro foi submetido ao processo na Mgtech Blindagem, pelo custo de R$ 55 mil.

De acordo com a polícia, a referida sociedade empresarial é integrada por Lilian Cristina Martins Maia, irmã do suspeito de contravenção João Carlos Martins Maia, vulgo “Joãozinho King”.

“Merece uma atenção à parte. Os documentos encaminhados aqui para a Corregedoria são contraditórios. No contrato do serviço, um serviço caro, a data para o pagamento é anterior da data da própria celebração indicada no contrato. Como é que essa blindagem foi contratada, se é que foi paga, como foi paga. No momento nós não temos essas informações. Nós continuamos apurando”, concluiu Buss.

G1*

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