Interrogado por Witzel, Edmar Santos afirma que o avisou de risco na requalificação da Unir: ‘Seria batom na sua cueca’

O ex-secretário estadual de Saúde do RJ Edmar Santos afirmou, em depoimento ao Tribunal Especial Misto que julga o impeachment de Wilson Witzel, que alertou o chefe sobre os riscos de reabilitar a Unir Saúde, Organização Social que estava impedida de fazer negócios com o governo do estado.

“O senhor [Witzel] falou que iria requalificar a Unir, e eu disse que seria um ‘batom na sua cueca'”, afirmou Edmar, na frente de Witzel, no Tribunal Especial Misto.
Edmar afirmou ainda que essa reunião aconteceu na varanda do gabinete do então governador e que Witzel disse que “iria requalificar a Unir de canetada”.

O depoimento do o ex-secretário estadual de Saúde durou cerca de 1h40. O próprio Witzel assumiu o interrogatório, como autoadvogado de defesa.

Edmar Santos deixou o plenário do Tribunal de Justiça por volta de 13h50, coberto por um pano vermelho.

Entenda a manobra da Unir

A requalificação da Unir é um dos argumentos do pedido de impeachment de Wilson Witzel. Desde o governo Sérgio Cabral, a Unir cuidava da administração de algumas unidades de saúde, como as UPAs de Botafogo e de Nova Iguaçu.

No entanto, em outubro de 2019, após pareceres jurídicos da Secretaria de Saúde e da Casa Civil, a OS foi desqualificada por incapacidade na prestação de serviços médicos.

Mesmo assim, no dia 23 de março de 2020, em decisão monocrática, Witzel ignorou os pareceres e restituiu à Unir o direito de voltar a fazer contratos com o governo do estado.

Interferência de Everaldo

No depoimento, Edmar explicou ainda que a nomeação de Gabriell Neves para a Subsecretaria de Saúde “foi um pedido do Pastor Everaldo”.

“Não foi minha escolha. Foi um pedido do Pastor Everaldo, em função de eu estar embarreirando uma série de improbidades que eles queriam fazer. Passei a ser um obstáculo.”

O Edmar afirmou também que avisou a Witzel sobre os problemas que Pastor Everaldo e o Edson Torres estariam causando na saúde do Estado.

“Eu procurei o senhor para avisar que estavam passando dos limites e comprometendo o funcionamento dos hospitais” , disse Edmar.

Apesar de Witzel alegar que havia uma organização paralela e que não participava de nenhum esquema criminoso na saúde, Edmar disse que Witzel teria ordenado repasses a municípios para agradar aliados, como Gotthardo Neto, prefeito de Volta Redonda, preso em agosto de 2020.

“Foram repassados R$ 21 milhões para Volta Redonda e R$ 16 milhões para Barra Mansa. O senhor me pediu para repassar dinheiro para Bom Jesus do Itabapoana, além de Volta Redonda e Barra Mansa”, disse Edmar.

OSs sem credibilidade

Edmar também disse que “todas as Organizações Sociais estão comprometidas” no estado.

“Não existe nenhuma OS que trabalhe de forma lícita”, destacou.

‘Esconde-esconde’

Edmar Santos chegou envolto em um lençol vermelho ao plenário e permaneceu coberto por biombos e cartazes. A defesa do ex-secretário pediu que a imagem de Edmar fosse preservada, alegando segurança para ele e a família.

O tribunal concordou em “escondê-lo”, e assim a imprensa foi proibida de fazer imagens e de transmitir o depoimento.

Para que nenhum registro fosse feito, Edmar recorreu a um pano vermelho para entrar no plenário. O banco de onde falaria foi cercado por um biombo e até por um cartaz do Tribunal de Justiça.

Celulares e câmeras foram proibidos na sessão. Jornalistas tinham que fazer anotações em papel e sair do salão para transmiti-las.

No momento de deixar o plenário do Tribunal de Justiça, o ex-secretário voltou a se esconder em um pano vermelho para sair sem ser visto.

Fonte: G1*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *