Governo do Rio abrem novos leitos para atender pacientes com Covid

Os sinais de agravamento da pandemia levaram a prefeitura e o governo estadual do Rio a abrir novos leitos para pacientes de Covid. As internações voltaram a crescer.

Um hospital de referência na rede privada para o tratamento da Covid-19 no Rio, em outubro, registrou 60 internações de pacientes com a doença. Número que já foi ultrapassado em novembro. Nos primeiros 18 dias, foram 65 internações. Todas as vagas na enfermaria e na UTI para Covid em uma unidade da Unimed-Rio, estão ocupadas.

“Nós somos um hospital referência de uma operadora de saúde e, por isso, nós ocupamos primeiro os nossos leitos, visto que os outros hospitais já estavam tendo uma desmobilização dos leitos para Covid. O que eu vejo nos outros hospitais é que estão fazendo o mesmo trabalho de começar a aumentar um pouco o número de leitos disponíveis exclusivamente para Covid”, conta Gabriel Massot, diretor do Hospital Unimed-Rio.

O aumento da procura por hospitais coincide com o relaxamento das medidas de prevenção.

A prefeitura liberou praias e até pistas de dança, e muita gente circula em áreas públicas sem máscara.

“Não é hora de fazer festa e de achar que tudo acabou, muito pelo contrário. Mas não é também para ter histeria coletiva e dizer que estamos igual à Espanha, não, também não está”, afirma Marcelo Medeiros, professor da PUC e coordenador do Covid-19.

A rede pública de saúde no Rio registrou um aumento de internações nas últimas semanas. A prefeitura anunciou a abertura de 20 vagas de UTI. E o governo do estado criou 83 vagas de terapia intensiva na cidade do Rio e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As medidas indicam que o vírus continua circulando e colocando em risco a população.

As internações por Covid-19 na rede SUS do município do Rio, que inclui hospitais municipais, estaduais e federais, aumentaram rapidamente em abril. A partir de agosto, houve uma queda e muitos leitos foram fechados. No dia 26 de outubro, a ocupação de UTIs estava em 66%. Agora, esse percentual voltou a subir: chegou a 83%. O dia com maior número de hospitalizações foi 25 de maio: 2.004 pessoas estavam internadas, sendo 681 em UTIs. A rede SUS no Rio tinha, nesta quinta (19), 963 pessoas internadas, 448em UTIs.

“Os pacientes graves continuam chegando. O que mudou foi a nossa capacidade de diagnóstico e tratamento, porque hoje a gente já reconhece mais facilmente os pacientes que vão evoluir de forma mais grave. Isso diminui um pouco a mortalidade, mas não diminui a necessidade de leitos”, explica Alberto Chebabo, infectologista / UFRJ.

A média móvel no estado do Rio está em 102 mortes por dia, um aumento de 152% na comparação com duas semanas atrás. A Secretaria Estadual de Saúde atribui parte desse aumento à falha no sistema Data-SUS, do Ministério da Saúde, o que atrasou o envio de dados.

“Vamos ter que esperar alguns dias para passar essa fase de ajuste para gente ter o dado no início de sintoma e data do óbito para aí sim poder dizer se está havendo aumento sistemático nos casos e óbitos ou não. Agora é momento de cautela. O que a gente vê nas ruas é que pessoas estão usando menos máscara, isso sim pode gerar um efeito bastante desastroso”, avalia Marcelo Medeiros, professor da PUC e coordenador do Covid-19.

G1*

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