19/08/2026
Política

Em sabatina na TV Record, Garotinho diz que Rio tem três grandes facções criminosas: “tráfico, milícias e Alerj”

Anthony Garotinho

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) elevou o tom contra a política e a segurança pública do Rio ao afirmar que o estado tem três grandes “facções criminosas”: o tráfico de drogas, as milícias e a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Candidato ao governo estadual novamente, ele classificou a Casa como uma “organização criminosa” durante sabatina no Balanço Geral, da TV Record, e também demonstrou confiança de que conseguirá permanecer na corrida pelo Palácio Guanabara, apesar dos questionamentos na Justiça Eleitoral.

A declaração sobre a Alerj foi uma das mais contundentes da entrevista. Ao ser questionado sobre o papel da Assembleia no Estado, Garotinho colocou o Legislativo estadual no mesmo patamar de organizações ligadas ao tráfico e às milícias.

“O Rio tem três grandes facções criminosas. O tráfico — independente de ser Comando Vermelho, TCP, Terceiro Comando Puro, Complexo de Israel —, esse é uma facção criminosa. As milícias… e a Alerj! A Alerj é uma organização criminosa!”, afirmou.

Garotinho atribuiu ainda ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes uma declaração segundo a qual mais da metade dos deputados teria envolvimento com crimes.

Confiança na candidatura

Logo no início da entrevista, Garotinho foi questionado sobre as ações que contestam sua candidatura na Justiça Eleitoral. Ele respondeu que está confiante de que conseguirá disputar a eleição até o fim. “Com certeza!”, afirmou ao ser perguntado se acreditava que seguiria na campanha.

Garotinho disse que foram apresentados pedidos de impugnação contra sua candidatura e mencionou, entre eles, a coligação de Eduardo Paes e o Ministério Público. O candidato também afirmou que uma das primeiras contestações teria partido de uma pessoa apontada, segundo ele, pela Secretaria de Segurança Pública do Ceará como integrante do PCC. “Quem vai decidir isso é o Tribunal”, declarou.

A situação eleitoral de Garotinho é alvo de questionamento devido aos seus direitos políticos. A palavra final sobre a validade de sua candidatura caberá à Justiça Eleitoral.

Segurança no centro

Ao ser perguntado sobre a principal carência do Rio, Garotinho não hesitou em apontar a segurança pública. O candidato apresentou como uma das principais propostas a criação do que chamou de “BOPE 2.0”, com efetivo de 500 policiais.

Segundo o ex-governador, a estratégia seria baseada na ocupação permanente dos territórios dominados pelo crime, acompanhada de investigação da Polícia Civil e da chegada de programas sociais.

“Eu vou criar o BOPE 2.0, um efetivo com quinhentos homens. Vou entrar na comunidade e fico na comunidade. A Polícia Civil entra junto para investigar; nada de entrar, dar tiro e sair”, afirmou.

Garotinho também criticou operações que, na avaliação dele, não garantem a permanência do poder público depois da entrada das forças de segurança.

“O que resolve é ocupar — não como a UPP —, ocupar e ficar pelo tempo que precisar. Investigar, desarmar paiol, tomar droga, prender os bandidos, tropa social, um programa para a comunidade”, disse.

O candidato também fez acusações de corrupção dentro das forças policiais. Questionado se estaria generalizando, afirmou que suas críticas eram dirigidas aos agentes envolvidos em irregularidades.

“Eu estou falando dos que fazem! Mas você sabe que em qualquer lugar uma laranja podre estraga o centro todo. Tem que tirar os podres!”, declarou.

Ataques a Paes e Ruas

A sabatina também foi marcada por ataques aos adversários Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL). Garotinho acusou os dois candidatos de terem relações com grupos criminosos: Paes seria “o candidato da milícia” e Ruas seria o “candidato do Comando Vermelho”.

Ao explicar por que decidiu voltar à disputa pelo governo, Garotinho afirmou que não queria deixar o eleitor diante do que classificou como uma escolha entre candidatos associados ao crime organizado.

Em outro momento, voltou a atacar os adversários e afirmou que pretende entrar em comunidades controladas por grupos armados durante a campanha. “Eu vou entrar em tudo quanto é lugar, tenho medo deles não!”, disse.

Garotinho também declarou que policiais envolvidos com atividades criminosas precisarão deixar as corporações e defendeu melhores salários para os agentes de segurança.

Saúde e fim da fila do Sisreg

Na saúde, Garotinho prometeu reduzir a espera por procedimentos no Sistema de Regulação (Sisreg). Segundo ele, uma das alternativas seria criar um modelo estadual de remuneração dos serviços de saúde inspirado na chamada Tabela Paulista, adotada em São Paulo para complementar os valores pagos pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). “Eu vou acabar com a fila do SISREG!”, afirmou.

O candidato disse que pretende ampliar o volume de cirurgias realizadas pela rede e afirmou não considerar necessária a construção generalizada de novos hospitais. Como exceção, anunciou a intenção de implantar um hospital especializado em câncer no Norte Fluminense.

Garotinho também defendeu uma política específica de atendimento às mulheres e mencionou a menopausa como uma das questões que, segundo ele, não recebem atenção suficiente na atual rede pública.

Educação, contas e transportes

Na educação, Garotinho apontou Darcy Ribeiro e Leonel Brizola como referências políticas e defendeu ampliar inicialmente a jornada escolar para seis horas. Entre as propostas apresentadas está o aumento do ensino de tecnologia e a concessão de bolsas para capacitação dos professores nessa área. “Se os garotos não aprenderem tecnologia, não vão ter emprego!”, afirmou.

O candidato também apresentou o programa Nossa Merenda, que prevê a aquisição de alimentos produzidos nas regiões onde ficam as escolas, e citou uma iniciativa chamada Carteira de Vida, destinada, segundo ele, ao acolhimento de crianças autistas que percam seus responsáveis, com apoio do Estado.

Na área fiscal, Garotinho prometeu rever incentivos tributários que considera desnecessários e afirmou que os benefícios deveriam ser direcionados principalmente a pequenos empresários e novos empreendimentos capazes de gerar empregos.

Nos transportes, prometeu analisar a licitação envolvendo a SuperVia e defendeu a implantação de um sistema aquaviário com 70 linhas na Baía de Guanabara, conectando Rio, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Magé.

Ao final da sabatina no Balanço Geral, Garotinho voltou a destacar propostas para segurança, saúde, educação e contas públicas e apresentou sua experiência anterior no Palácio Guanabara como um dos principais argumentos para retornar ao cargo. “Eu estou pronto para governar”, afirmou.

Com informações Agenda do Poder.

Assista ao vídeo:

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