Eleições unem ex-adversários: Com o apoio de Paes, famílias Garotinho e Vianna buscam aliança contra grupo de Bacellar - Tribuna NF

Eleições unem ex-adversários: Com o apoio de Paes, famílias Garotinho e Vianna buscam aliança contra grupo de Bacellar

IPTU - Prefeitura de Campos dos Goytacazes

Por Marcelo Remigio, do Extra.

As eleições municipais do ano que vem em Campos dos Goytacazes, maior cidade do interior do Rio de Janeiro, podem ser marcadas pela união de dois grupos políticos que são adversários históricos do Norte Fluminense: os Garotinho e os Vianna. O deputado federal Caio Vianna (PSD) e o prefeito Wladimir Garotinho (PP) iniciaram conversas em busca de um alinhamento em 2024, de olho em 2026 e na tentativa de estancar o crescimento dos alidos do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, que embarcará no União Brasil. A negociação da aliança tem a interferência do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD).

Candidato à reeleição, Wladimir, caso feche aliança com o PSD, teria o apoio do grupo de Caio no ano que vem, ganhando força contra o “time Bacellar”. O deputado federal, que foi para o 2º turno com o prefeito em 2020, abriria mão de sua candidatura. Em troca, Wladimir daria palanque a Paes, numa eventual disputa ao governo do estado em 2026. Caio e Wladimir se reuniram recentemente para o anúncio de emendas parlamentares que vão beneficiar Campos. Num aceno público à pacificação, gravaram um vídeo, postado nas redes sociais, em que falam que divergências políticas foram deixadas de lado em favor da cidade. Os dois afirmam que a aproximação foi bem aceita por seus pais, o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-prefeito Arnaldo Vianna. — Eles sempre foram aliados históricos e que em algum momento se distanciaram e estiveram em lados opostos em disputas acirradas.

Os dois, Arnaldo e Garotinho, entendem que o momento mudou e ambos ficaram muito satisfeitos com a maturidade dos filhos — diz o prefeito. Segundo Caio, o PSD tem como uma de suas prioridades a eleição de Paes ao Palácio Guanabara. E a estratégia política passa pelo fortalecimento das bases no interior. — Desenhamos um cenário que tem como foco o projeto do Eduardo. O PSD tem trabalhado em todo o estado o fortalecimento de suas bases, atraindo vereadores e prefeitos de mandato, buscando alianças. Em Campos não é diferente — afirma.

Entre uma petista e um bolsonarista

Adversário político de Wladimir Garotinho e Caio Vianna, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, aposta numa estratégia para evitar que os Garotinho e os Vianna conquistem a Prefeitura de Campos em 2024. Hoje, Wladimir lidera as pesquisas de opinião, mas ainda falta quase um ano para a votação, e Campos tem um histórico de viradas em eleições. Bacellar aposta na deputada estadual Carla Machado (PT) como nome para enfrentar Wladimir. Ela é ex-prefeita da vizinha São João da Barra e aparlamentar mulher na Alerj mais votada em Campos. Para colocar em prática o projeto, o União ainda terá de convencer Carla a se filiar ao partido. O presidente da Alerj também articula com bolsonaristas, que avaliam lançar a candidatura do deputado estadual Filippe Poubel (PL). Recentemente, Carla votou pela aprovação do título de Cidadão do Estado do Rio para a ex-primeira-dama do Brasil Michelle Bolsonaro.

A iniciativa foi vista no PL como um aceno de paz, que pode render o apoio da legenda caso Carla chegue ao segundo turno. Wladimir critica as candidaturas: — Inventar Poubel em Campos mostra como a oposição não tem sequer um projeto político para a cidade — afirma. — Já Carla me parece uma distração, até arrumarem alguém disposto a ser candidato pelo grupo dos Bacellar.

Em meio à disputa com Bacellar, a aliança dos Garotinho e Vianna não agrada a parte do PSD local, que defende candidatura própria em 2024. Entre os que reprovam está o vereador e vice-presidente municipal da sigla, Bruno Vianna — que, apesar de ter o mesmo sobrenome, não é da família de Caio: — Caio, que preside o PSD, defende uma opinião própria, não a do partido. Não vejo o PSD sem candidato em 2024, é um retrocesso.

Procurado pela reportagem, Bacellar não quis comentar a disputa em Campos.

Fonte: Jornal Extra

Alerj

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