Edmar Santos recebia propina antes mesmo de se tornar secretário no RJ

O ex-secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos, recebia propina antes mesmo de assumir a pasta. A revelação é do próprio Edmar, obtida pelo RJ2 desta segunda (31), em delação premiada — a mesma que apontou o governador afastado Wilson Witzel (PSC) como um dos líderes do esquema criminoso.

Edmar Santos afirma que recebe propina desde 2016, quando dirigia o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), ligado a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O esquema começou quando o então diretor do Hupe foi apresentado a Nilo, representante do empresário Edson Torres nas empresas Verde e Magna — que prestam serviços terceirizados de limpeza e segurança.

A propina era paga para que as empresas tivessem preferência nos pagamentos. Os percentuais foram combinados com Claudio Marcelo Silva, o operador financeiro do ex-secretário, que o delatou ao Ministério Público.

Como funcionava o esquema

Segundo depoimento de Edmar Santos à Justiça, a propina era paga sobre o percentual do valor liberado: 10% de propina para os contratos da Verde e outros 5% de propina sobre os contratos da Magna.

Desses valores, 80% eram de Edmar e 20% de Claudio Marcelo. A propina caía uma semana depois que o Hupe pagava às empresas. Essa propina, segundo Edmar, foi paga de 2016 a 2020, num total de R$ 7 milhões.

Segundo Edmar, Edson Torres o indicou ao governo Wilson Witzel para ocupar o cargo de secretário. Assim, o empresário ligado ao Pastor Everaldo, presidente do PSC preso na última sexta-feira, controlaria a pasta.

Cartão de R$ 20 mil

Em julho do ano passado, Edmar Santos afirmou que se queixou da dificuldade de receber propina em uma reunião com Edson Torres e Victor Hugo Cavalcante, o doleiro do Pastor Everaldo.

O resultado da reunião foi um “presente”: um cartão de crédito com limite mensal de R$ 20 mil para Edmar Santos gastar como quisesse.

O ex-secretário afirma que outras pessoas também usavam cartão semelhante, como Edson Torres e o secretário estadual das cidades, Juarez Filho, que teria até lhe mostrado o cartão.

Ainda de acordo com a delação, Edmar Santos recebeu duas vezes R$ 300 mil oferecidos a ele por José Carlos de Melo, apontado como chefe de um dos núcleos da organização criminosa.

Da primeira vez, Edmar Santos levou o dinheiro em uma mochila de José Carlos — e depois foi cobrado a devolvê-la. A outra, teria sido entregue em duas parcelas: uma por Carlos Frederico Loretti, o operador financeiro de José Carlos, e outra por Claudio Marcelo, que teria sido o responsável de guardar os valores em um cofre em Portugal.

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