Delegados listavam inquéritos para que advogados cooptassem empresários a pagar propinas, diz PF

Investigados das duas fases da Operação Tergiversação faziam listas de possíveis alvos de cobrança de propina.

Segundo a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), que nesta quinta-feira (15) prenderam um delegado e um empresário, agentes da PF discriminavam os inquéritos sob sua responsabilidade para que operadores contatassem responsáveis por empresas investigadas na PF.

A PF afirma que o esquema de vantagens indevidas movimentou pelo menos R$ 10 milhões. Segundo a força-tarefa, em troca, os agentes corruptos ofereciam proteção em duas investigações sobre fraudes envolvendo o plano de saúde e o fundo de pensão dos Correios.

Um dos presos nesta quinta, na Tergiversação 2, foi o delegado da PF Wallace Noble. O outro foi um empresário, cuja identidade não tinha sido divulgada até a última atualização desta reportagem.

Propinas mensais
Entre os alvos das buscas nesta quinta estavam o delegado da PF Lorenzo Pompílio da Hora, o escrivão Éverton da Costa Ribeiro — presos na primeira fase da operação —, além de um delegado da Polícia Civil do RJ.

Marcelo Guimarães foi um dos operadores do esquema e fez acordo de colaboração. Em depoimento, Marcelo afirmou que os investigados “estavam sempre em busca de uma oportunidade de abordar empresários investigados para tentar solicitar vantagens indevidas”.

A PF afirma que os delegados federais Wallace e Lorenzo chegaram a receber valores de propinas mensais de empresários.

Advogados chegaram a pedir que Lorenzo realizasse intimações para aumentar a pressão sobre os investigados, de forma que eles pagassem a propina solicitada.

Blindagem mediante propina
A primeira etapa da operação, em junho do ano passado, prendeu Lorenzo, o escrivão da PF Éverton da Costa Ribeiro e um advogado.

A força-tarefa afirmou à época que o esquema excluía, mediante propina, os nomes de empresários e de suas companhias das investigações em curso em um núcleo da Polícia Federal. Seis pessoas foram denunciadas pelo MPF pelos crimes de corrupção ativa e passiva.

Os suspeitos nesta segunda fase são investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, organização criminosa e obstrução à justiça.

Equipes estiveram em um prédio em Copacabana e no Via Parque Shopping, na Barra da Tijuca — de onde saíram com documentos.

A Operação Tergiversação 1
No dia 11 de junho de 2019, a PF e o MPF prenderam o delegado de Polícia Federal Lorenzo Pompílio da Hora, o escrivão Éverton da Costa Ribeiro e um advogado.

A PF afirma que os servidores contavam com a atuação de operadores, que usavam seus contatos para se aproximar dos investigados e pedir os pagamentos de vantagens indevidas, além de viabilizar o recebimento de propina e as operações de lavagem de dinheiro.

Pagamentos entre R$ 400 mil e R$ 1,5 milhão eram feitos, na maior parte das vezes, em dinheiro. Outros valores foram repassados por meio de transferências a empresas ligadas aos operadores.

G1*

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