Corte de bolsas federais atinge alunos de pós-graduação da UENF - Tribuna NF

Corte de bolsas federais atinge alunos de pós-graduação da UENF

IPTU - Prefeitura de Campos dos Goytacazes

O decreto do governo federal que zerou a autorização para desembolsos financeiros durante o mês de dezembro, retirando da Capes a capacidade de efetuar o pagamento de aproximadamente 200 mil bolsas de pesquisa, em todo o país, atingiu em cheio os estudantes de pós-graduação da UENF. Grande parte deles é oriunda de outras partes do país e só tem esta fonte de recursos para se manter em Campos dos Goytacazes (RJ).

É o caso de Natália Borges de Melo, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais, que é do Rio Grande do Sul. Ela conta que veio para o Rio em busca de qualificação profissional e crescimento na carreira.

— Contudo, o que me deparo é a triste realidade de um desgoverno no qual a educação nunca foi uma prioridade. Não tenho outra forma de sustento, porque, como pesquisadora, é necessário manter dedicação exclusiva com a Universidade. A bolsa não veio esse mês, nem sei se nos próximos, entretanto as contas chegam. Por conta dessa incerteza, minha permanência aqui está ameaçado pois tenho contas para pagar — diz.

A bióloga Rosimara Barbosa, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento de Plantas, é natural do Mato Grosso, e também não sabe como vai pagar as contas do mês.

— Vim para Campos para me profissionalizar, fazer mestrado e doutorado. Nossas bolsas não têm nenhum reajuste desde 2014. O dinheiro que a gente ganha já é pouco, mal dá para nos mantermos. Ontem ficamos sabendo que não seria feito o pagamento das bolsas de dezembro e janeiro. Isso é um total desrespeito com a nossa classe. A gente não tem carteira assinada, nenhum direito assegurado. Enquanto não voltar a receber não tem como permanecer aqui — disse.

Mãe de uma criança de quatro anos, Luana Burg, que faz pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais, disse que ficar sem a bolsa significa não ter dinheiro para comer, pagar aluguel e outras despesas básicas. Ela considera um absurdo a forma como o governo federal vem tratando os pesquisadores.

— Assim como todo trabalhador brasileiro, trabalho o mês inteiro e no final do mês tenho um monte de contas a pagar (aluguel, água, luz, alimentação, saúde). Sem essa bolsa, a qual é o meu sustento, não tenho como me manter e cumprir todos os compromissos que assumimos ao sair da casa dos nossos pais para estudar fora. É com imensa indignação que recebi essa notícia, que do dia para noite não teria mais salário (bolsa) — disse Patrícia Marques Santos, aluna de Doutorado do Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais e bolsista Capes.

Fórum da Pós-Graduação

A vice-reitora da UENF, Rosana Rodrigues, mencionou o corte das bolsas ao participar da abertura do V Fórum de Pós-Graduação da UENF, no Centro de Convenções, na manhã desta quarta-feira, 07/12.

— Desde ontem há uma grande mobilização, sobretudo em Brasília, junto às bases políticas, para se tentar reverter isso que está acontecendo e que é muito ruim para nossos pós-graduandos. Nós estamos atentos a todos esses movimentos, inclusive o Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação já está se mobilizando para que essa situação seja resolvida em temo hábil para que os estudantes possam receber suas bolsas — afirmou.

Ela informou que durante o último Encontro Nacional de Pró-Reitores de Pós-Graduação, a UENF solicitou que fosse feita uma consulta formal à Capes e ao CNPq sobre a possibilidade de as instituições efetuarem o pagamento de auxílios esporádicos aos pós-graduandos, a exemplo do que foi feito ano passado com os bolsistas Faperj.

— Temos a possibilidade de fazer isso com os bolsistas Faperj, mas em relação aos bolsistas Capes e CNPq não. Se fizermos, podemos ser surpreeendidos com a solicitação de devolução dos recursos porque pode caracterizar o pagamento de uma segunda bolsa — disse.

O reitor da UENF, Raul Palacio, disse que, graças a todo um trabalho político da Reitoria da UENF junto ao governo estadual, o orçamento da instituição para 2023 aumentou de R$ 180 para R$ 320 milhões, o que vai permitir novas ações na pós-graduação. Segundo ele, os cortes das bolsas Capes e CNPq se inserem no contexto de desmonte da ciência que vem sendo executado pelo governo federal.

— O que estamos vendo é o resultado de todo um trabalho de desmonte da pesquisa que vem sendo feito nos últimos quatro anos. É lamentável o que está acontecendo. Mais do que lamentar, quero colocar meu repúdio a todo esse processo de não pagamento das bolsas da Capes. Felizmente temos uma luz no fim do túnel, e tudo isso vai mudar nos próximos meses — afirmou.

O V Fórum de Pós-Graduação da UENF foi aberto na manhã desta quarta-feira, 07/12/22, e se estende até quinta-feira. A mesa de abertura teve a participação virtual do reitor da UENF, Raul Palacio (que se encontra a trabalho no Rio); da vice-reitora Rosana Rodrigues; e da pró-reitora de Pós-Graduação, Maura da Cunha. A palestra de abertura foi ministrada pela professora titular da UERJ e presidente do Conselho Superior da Faperj Alice Casimiro Lopes. Ela abordou, de forma remota, o tema “Pós-graduação: perspectivas e impasses para a avaliação e o financiamento” .

Veja AQUI a programação.

Fonte: Ascom

Alerj

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