Cabral acusa todos ex-governadores dos últimos anos; Garotinho reage as acusações

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) foi ouvido nesta sexta-feira (5) na Justiça Federal. Ele pediu para ser interrogado de novo, depois que se tornou réu confesso, e disse que a propina de empresas de transportes no estado do Rio – via a Fetranspor, federação das empresas – começou no governo Moreira Franco, entre 1987 e 1991, passando ainda pelos governos de Leonel Brizola, Marcello Alencar, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho.

A audiência desta sexta é sobre a Operação Ponto Final, que investiga irregularidades no setor de transportes. Logo no início da audiência o ex-governador afirmou que foi “com o coração aberto”. Além dos ex-governadores, Cabral também citou empresários, membros do Judiciário, deputados e o ex-prefeito Eduardo Paes.

Sobre o período dos Garotinho, Cabral disse que a caixinha da Fetranspor continuou no Executivo, supostamente administrada pelo ex-presidente do Tribunal de Contas do RJ, Jonas Lopes, condenado pela Lava Jato, e Augusto Ariston [ex-deputado, e ex-secretário de Transportes e da Casa Civil]. O mesmo teria ocorrido no governo de Rosinha Garotinho.

“Com o dinheiro da Fetranspor, Garotinho comprou a TV Band no Sul Fluminense. Usa uma pessoa chamada Mauro como um testa de ferro, tem um jornal O Diário, que é do Mauro mas na verdade é dele (Garotinho), e eu continuo presidente da Alerj cuidando da caixinha da Fetranspor nesse período”, acusou Cabral.

Através de nota publicada no facebook, a defesa de Garotinho rebateu as acusações:

“RESPOSTA ÀS MENTIRAS DE SÉRGIO CABRAL.

A defesa do ex-governador Anthony Garotinho e sua esposa Rosinha Garotinho afirmam, com veemência, não haver uma única verdade no depoimento do ex governador Sérgio Cabral, quanto às acusações proferidas aos mesmos, em relação ao setor de transportes e compra de emissora de televisão e rádio. Ressalta-se que em 1999, após estudos técnicos, Garotinho foi o responsável por ação pioneira: redução das passagens de ônibus na região metropolitana do Rio de Janeiro. Destaca-se ainda o fato das redução das passagens ter sido revogado por decisão judicial. Quanto à acusação de ser dono de emissora de rádio e de televisão, informa que o ex governador Antony Garotinho é radialista com carteira assinada desde os 17 anos de idade. No entanto, nunca foi proprietário de emissora alguma. Desprende-se que o sentimento de ódio nutrido por Sérgio Cabral e seu grupo político advém da notícia crime protocolizada por Garotinho na Procuradoria Geral da República – PGR, onde teve início a investigação que levou Sérgio Cabral e seu grupo político à prisão.”

Caixinha de Picciani

Cabral disse ter recebido, entre 2003 e 2006, quando era senador em Brasília, uma caixinha de Jorge Picciani de R$ 200 a R$ 300 mil, como forma de mantê-lo como o candidato do PMDB ao governo do Estado em 2006. Nesse período, por um projeto contrário aos interesses da Fetranspor sobre gratuidade de passageiros, ele teria ficado sem o recurso de propina.

“Em 2006 me elejo governador. Na campanha de 2006, a Fetranspor me deu cerca de R$ 5 milhões, somando primeiro e segundo turno. Jorge Picciani se reelege presidente da Alerj, onde continua administrando o caixa da Fetranspor. Havia muita reclamação dos deputados na época do Picciani: ‘Ah, não está dando todo mês, não tô recebendo’. Minha filosofia era: ‘É um regime presidencial e é com ele que eu trato, não perguntava quanto recebia mas tinha a informação de que recebia R$ 1 milhão por mês, mas não sei quanto dava para cada um. Para o Executivo eram R$ 420 mil por mês.”

Em nota, Picciani disse que “o ex-governador, para agradar ao Ministério Público, falta com a verdade e me atribui acusações que carecem de provas”. “Em minha vida pública nunca me envolvi com ilegalidade, pautei meus mandatos sem estrelismo ou oportunismo e sempre no interesse da população do Rio de Janeiro”, acrescenta.

Mais acusações

Cabral atirou para todos os lados, e ainda faz acusações contra deputados, vereadores, ministro do STJ e o prefeito do Rio Marcelo Crivella.

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